OMS alerta que ainda há tempo para evitar o caos no Médio Oriente e Norte de África

17 de Abril 2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que ainda há tempo, no Médio Oriente e Norte de África, para “aproveitar a oportunidade” de agir e evitar o caos que resultaria de uma propagação explosiva do novo coronavírus

Temos realmente uma oportunidade para agir na região porque o aumento de casos não foi rápido”, declarou numa entrevista à agência France-Presse Ivan Hutin, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis na delegação regional da OMS no Mediterrâneo Oriental, sediado no Cairo.

Segundo a organização da ONU, mais de 111.000 casos do novo coronavírus e mais de 5.500 mortos foram registados até agora nos 22 países da região Médio Oriente e Norte de África, que para a OMS se estende de Marrocos ao Paquistão, excluindo a Argélia.

Trata-se de um balanço moderado face aos mais de dois milhões de casos e 140.000 mortos registados oficialmente em todo o mundo.

Hutin disse que, de momento, é difícil de explicar o aumento limitado dos casos na região, exceto no Irão com mais de 77.000 casos e perto de 5.000 mortos.

“É possível que haja fatores demográficos, porque são países com muitos jovens”, adianta.

Em países em guerra ou em “situação de emergência”, como o Iémen, a Líbia ou a Síria, os casos do novo coronavírus são mesmo quase inexistentes.

Mas, segundo o epidemiologista, “não é porque se evitou uma situação difícil a primeira vez, que se vai evitar segunda vez”.

No Egito, onde Hutin dirigiu uma missão de avaliação no final de março, há atualmente “mais transmissões do que há algumas semanas. Mas ainda não há uma situação de transmissão exponencial”.

Para evitar uma situação comparável à da Europa ou dos Estados Unidos, com dezenas de milhares de mortos, é necessário, segundo ele, criar “os ‘pilares de resposta’”: envolvimento da população, mobilização dos sistemas de saúde, preparação dos hospitais para a chegada de casos graves.

“As coisas que podem ser feitas não são necessariamente muito complicadas”, diz, indicando o isolamento dos doentes ligeiros “em hotéis, escolas ou dormitórios do exército”.

Para os casos graves, “pode-se fazer muito transformando as camas hospitalares tradicionais em camas de cuidados intensivos”.

Outra medida possível para evitar uma explosão da covid-19 na região é o aumento da capacidade de rastreio, que segundo Hutin se pode fazer nomeadamente com “pequenas máquinas que fornecem resultados de testes rápidos”.

Tendo em conta “a potencial gravidade e a capacidade deste vírus de afetar o sistema de saúde”, a região deve preparar-se para “a eventualidade de as coisas correrem mal”, adverte Hutin.

Habitada maioritariamente por muçulmanos, a região prepara-se para celebrar o Ramadão a partir da última semana do mês e a OMS divulgou recentemente uma série de recomendações para o mês de jejum habitualmente com uma intensa atividade social.

O jejum é observado durante todo o dia e quebrado ao por do sol geralmente com refeições coletivas após a oração em mesquitas.

O cancelamento de eventos religiosos deve ser “considerado seriamente”, defende a OMS, lembrando que uma “distância de pelo menos um metro” deve ser cumprida pelos fiéis em qualquer situação.

O Egito foi o primeiro país árabe a anunciar no passado dia 07 a suspensão de todas as atividades coletivas durante o Ramadão deste ano.

LUSA/HN

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