OMS defende desconfinamento gradual para estimular as economias

11 de Maio 2020

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, defendeu hoje que o “desconfinamento gradual é essencial para estimular as economias” e ao mesmo tempo continuar “a controlar o vírus”.

Numa conferência de imprensa virtual a partir de Genebra o responsável salientou que para que haja um desconfinamento é preciso que os países possam responder positivamente a três questões: se está a pandemia de covid-19 sob controle, se o sistema de saúde pode lidar com novos casos e se o sistema de vigilância pode detetar e gerir novos casos.

Lembrando que há mais de quatro milhões de pessoas infetadas com o novo coronavírus e também que houve êxito na redução do vírus, Tedros Ghebreyesus admitiu que o desconfinamento que alguns países estão a fazer é “complexo e difícil” e recordou que os estudos indicam que é escassa a população mundial de pessoas que têm anticorpos.

O diretor-geral pediu ainda atenção na reabertura de escolas e de locais de trabalho, sendo necessário aferir da capacidade de manter medidas de controlo e prevenção nas instalações.

Na conferência de imprensa a partir de Genebra os responsáveis da OMS foram questionados sobre a não convocação de Taiwan para a reunião anual da organização, dos dias 18 e 19, cabendo ao diretor jurídico, Steven Salomon, responder que se tratava de uma questão política, que transcendia o secretário-geral.

As regras da OMS são criadas pelos 194 Estados-membros e decidiu-se que a China, que reivindica há décadas a soberania sobre a ilha, é a única representante na OMS e que não são permitidos representantes de outras áreas da região, disse.

“Apenas os Estados-membros [da OMS] determinam as políticas das assembleias. Hoje não há um mandato para o diretor-geral da OMS fazer esse convite” a Taiwan, acrescentou.

Na semana passada os Estados Unidos pediram a Tedros Ghebreyesus para convocar Taiwan para a reunião. Taiwan foi excluído da OMS, onde tinha o estatuto de observador até 2016, por pressão da China. Taiwan já disse que a sua ausência pode prejudicar a resposta global à pandemia de covid-19.

Ainda na conferência de imprensa, sobre o Dia Internacional do Enfermeiro, que se assinala na terça-feira, a OMS homenageou e reconheceu “o papel importante da classe”, tendo Tedros Ghebreyesus afirmado que as comemorações devem ser um pretexto para chamar a atenção da falta de seis milhões destes profissionais que há no mundo.

E quanto ao aumento de casos de covid-19 em países que iniciaram um desconfinamento, como a Coreia do Sul ou a Alemanha, os responsáveis da OMS relativizaram e acrescentaram que uma das explicações pode ser a de ter havido um aumento de mobilidade antes do relaxamento das medidas de confinamento.

LUSA/HN

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