19/05/2020 | Covid 19, Opinião

Os Orientadores são a estrutura e o futuro da Medicina Geral e Familiar

Cecília Shinn
Médica de Família; Cordenadora do Internato Médico de Medicina Geral e Familiar, na Região de Lisboa e Vale do Tejo

Cecília Shinn
Médica de Família; Cordenadora do Internato Médico de Medicina Geral e Familiar, na Região de Lisboa e Vale do Tejo

Os Orientadores são a estrutura e o futuro da Medicina Geral e Familiar

19/05/2020 | Covid 19, Opinião

O Internato de Medicina Geral e Familiar (MGF) faz 40 anos em 2021, e a sua evolução tem acompanhado a par e passo a evolução dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal. O objetivo do Internato é transformar médicos sem formação específica em profissionais altamente competentes que possam proporcionar os melhores cuidados de saúde possíveis no contexto da sua comunidade, maximizando ao mesmo tempo o potencial de cada interno. Para isso, o interno precisa de consolidar e expandir conhecimentos adquiridos na formação pré-graduada, dominar técnicas e aptidões próprias da especialidade e treinar um sentido crítico que permita a atualização permanente de conhecimentos nos 30 a 40 anos seguintes ao programa de diferenciação.

Em 1981, o “Internato Complementar de Generalista” começou, com resistências e hesitações, um programa de 3 anos em que apenas 6 meses eram passados em prática extra-hospitalar. Em 1987, já tinham sido formados 184 Clínicos Gerais que contribuíram como Orientadores para outros Clínicos Gerais realizarem a sua formação em exercício (médicos não especialistas que optaram por serem colocados a trabalhar em Centros de Saúde, com o compromisso de poderem realizar a sua formação enquanto trabalhavam).

Em 2007, havia 23 internos e 180 Orientadores em formação na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, e em 2020 já temos 799 Internos sob a Orientação de 550 especialistas em Medicina Geral e Familiar. Atualmente, o programa de formação especializada em MGF tem a duração de 4 anos, com grande enfoque na formação nas unidades de saúde da comunidade. Temos a nível nacional uma capacidade formativa de cerca de 500 especialistas em Medicina Geral e Familiar por ano em Portugal.

Tudo isto só é possível graças aos Orientadores de Formação. São especialistas de MGF, médicos de família com listas de utentes volumosas, horas já apertadas para todas as obrigações de acompanhamento da doença aguda, da doença crónica, da promoção da saúde e estilos de vida saudáveis, de atividades preventivas, de governação clínica e de atualização médica constante, além de contribuírem para Atendimento Complementar e outros projetos na Comunidade. São médicos com paixão e dedicação para o ensino, para a tutoria acompanhada, são médicos que partilham durante cerca de 4 anos as suas listas de utentes.

Ensinar através da demonstração e reflexão em relação à preparação e organização da consulta, aos motivos da consulta, à relação médico-doente, à escuta terapêutica, à marcha diagnóstica num mundo de incertezas, à aplicação da medicina baseada na evidência à pessoa inserida no seu contexto biopsicossocial, à capacitação do utente na gestão da sua saúde, promovendo o desenvolvimento da autonomia faseada do interno, a supervisão à distância e o trabalho em equipa; estes são alguns dos desafios que os Orientadores têm de enfrentar.

Os Orientadores são a estrutura e o futuro da Medicina Geral e Familiar. São a pedra basilar, são a casa da Medicina Geral e Familiar. Temos formadores cada vez melhores, que produzem mais internos e cada melhores preparados.

No Dia Mundial do Médico de Família, importa reconhecer e homenagear, entre outros, aqueles que colaboram diariamente na formação dos Médicos de Família do futuro e que dedicam o seu tempo ao futuro do SNS em Portugal. A todos eles, o nosso Muito Obrigado.

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