19/05/2020 | Opinião

Por uma Medicina Geral e Familiar Hipocrática

António Alvim
Médico especialista em MGF

António Alvim
Médico especialista em MGF

Por uma Medicina Geral e Familiar Hipocrática

19/05/2020 | Opinião | 0 comments

Agora que toda a geração que nos anos 80 encheu o País de Médicos de Família, vai ser substituída por toda uma nova geração, aliás extraordinariamente capaz e bem formada, é altura de refletirmos quais os valores que lhe queremos transmitir e o que será necessário fazer para que durante toda a sua vida profissional mantenham acesa a chama que os levou a abraçar uma das mais belas profissões do mundo.

A minha proposta é que independente dos contextos e do que à volta se diga, assumam sempre que são os Médicos dos vossos utentes e que é esse o vosso compromisso.

A MGF é sobretudo acompanhamento. Acompanhamento dos nossos utentes ao longo da sua vida e nas várias fases que atravessam. Acompanhamento preventivo em tempos de saúde e acompanhamento atempado e eficaz na doença. Acompanhamento , compassivo, nas doenças crónicas e incapacitantes. Acompanhamento paliativo e compassivo na fase terminal da vida. Acompanhamento em escuta atenta das agruras e felicidades de cada um deles. Acompanhamento essencial no desfazer de medos e ansiedades.

Este acompanhamento implica profissionalismo, dedicação e humanismo. Mas implica também conhecimentos e boa preparação técnica.
Implica que os nossos utentes, e famílias, saibam que podem contar sempre connosco. Sempre.

Para que isto possam acontecer vai ser preciso mudar o foco das “lutas”. Lutar por modelos que dêem liberdade organizacional aos Médicos, e a facilitação do trabalho em equipa. Mas sem prejuízo da bondade do trabalho em equipa, o primado de cada um organizar o atendimento aos seus utentes, de forma a melhor realizar aquele, deve manter-se.

Os Sindicatos Médicos devem mudar a agulha e em vez de insistirem em regulamentar o modelo burocrático, definindo até o tempo para se ir à casa de banho, e assentarem a sua estratégia numa série de nãos, devem sim lutar por sistemas de liberdade assentes em compromisso/remuneração.- USFs de Modelo B e Modelo C

E isto é tão mais indispensável quanto estamos num momento crucial em que o SNS não pode perder para o sector privado, ou para o estrangeiro, toda esta fantástica nova geração. A Nossa coesão assenta numa rede comum de Médicos de Família para todos.
Conselho final: Sejam o Médico de Família que gostariam de ter. A recompensa será enorme.

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