Estudo mundial mostra que as mulheres têm menos probabilidades de ter doenças cardíacas

22 de Maio 2020

Um grande estudo, que envolveu mais de 160.000 pessoas de 21 países, refere que as mulheres são menos propensas a desenvolver doenças cardiovasculares, e a morrer disso, do que os homens.

Para os investigadores não interessava se as mulheres tinham tido, ou não, um ataque cardíaco ou enfarte anterior. Também não era importante em que país viviam nem o seu estatuto económico.

O estudo do “Population Health Research Institute” (PHRI), da Universidade McMaster, e da “Hamilton Health Sciences”, acaba de ser publicado no “Lancet”. As informações baseiam-se no “Prospective Urban Rural Epidemiological” (PURE), que acompanhou os participantes durante cerca de 10 anos.

Este é o primeiro estudo global que documenta os fatores de risco, tratamentos, incidência de ataques cardíacos, enfartes e mortalidade em pessoas que vivem na comunidade, em vez de pacientes hospitalizados.

Os investigadores descobriram que as mulheres sem história de doença cardiovascular (DCV) eram mais propensas a usar medicamentos preventivos, controlar a hipertensão e parar de fumar, em comparação com os homens.

“Existia alguma preocupação pelo facto de as mulheres com DCV serem tratadas menos agressivamente do que os homens, o que poderia fazer com que tivessem um prognóstico pior. Alguns atribuíram esse facto a um viés de tratamento contra as mulheres”, referiu Marjan Walli-Attaei, investigadora do PHRI e autora principal do estudo.

“No nosso estudo global, observamos que embora as estratégias de prevenção fossem usadas com mais frequência pelas mulheres, as estratégias invasivas, como a intervenção coronária percutânea e a cirurgia de revascularização do miocárdio, eram usadas com mais frequência nos homens”.

“Mas, em geral, resultados como morte, um novo ataque cardíaco ou enfarte, foram menores nas mulheres do que nos homens. Isso sugere que pode haver outros fatores, além do viés de tratamento contra as mulheres, que contribuem para as diferenças de tratamento”.

A co-autora do estudo, Annika Rosengren, professora da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, assinalou que as taxas mais baixas de tratamentos cardíacos invasivos em mulheres com DCV podem ser parcialmente explicadas pelo facto de as mulheres, em comparação com os homens, não terem tão frequentemente o tipo de aterosclerose extensa que requer tratamento médico.

“Outros estudos mostraram que as diferenças entre os sexos nos procedimentos cardíacos invasivos não são observadas quando consideramos a extensão e a gravidade da doença arterial coronária. Isso sugere que as taxas mais baixas de intervenções coronárias nas mulheres são apropriadas, pois elas têm doenças menos extensas”, referiu a investigadora.

No entanto, existe uma preocupação substancial com as diferenças de tratamento entre os países mais pobres e os mais ricos, disse Salim Yusuf, professor de Medicina da Universidade McMaster e investigador principal do estudo PURE.

“As diferenças nos resultados de mulheres e homens nos países pobres, onde aproximadamente 40% morrem 30 dias após um ataque cardíaco ou enfarte, em comparação com menos de 10% nos países ricos, são motivo de grande preocupação e merecem muita atenção”, salientou.

Mais de 30 investigadores de 27 países, incluindo cinco do Canadá, participaram no “Prospect Epidemiology Rural Rural Epidemiology” (PURE), liderado pelo “Population Health Research Institute”.

O estudo PURE é apoiado por várias agências de saúde do Canadá, incluindo os “Canadian Institutes of Health Research” e a “Heart and Stroke Foundation of Ontario”, além de receber doações de várias empresas farmacêuticas, do PHRI e do “Hamilton Health Sciences Research Institute”, bem como contribuições adicionais de várias organizações nacionais ou locais dos países participantes.

Bibliografia: www.thelancet.com Published online May 20, 2020 https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30543-2

 

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