Plano de testagem na região de Lisboa prevê 7.000 testes diários

1 de Junho 2020

O plano de resposta específico para travar focos de infeção de covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo é de 7.000 testes diários, podendo totalizar até 49 mil “nesta primeira semana” de testagem, avançou hoje o Governo.

Na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, afirmou que a Região de Lisboa e Vale do Tejo merece nesta fase uma “especial atenção” devido ao “número muito significativo de casos” de infeção por SARS-CoV-2, o coronavírus que provoca a doença covid-19.

Segundo dados da DGS, há mais 200 infetados no país, 193 dos quais na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

“Face à evolução dos dados nesta região, e em particular na área metropolitana de Lisboa, o Governo adotou um plano de resposta específico iniciado este fim de semana em articulação com as autoridades de saúde locais, os municípios, proteção civil empresas e Autoridade para as Condições de Trabalho”, lembrou a governante.

Este plano procura, ajustando estratégias, dar resposta a focos de infeção, que foram sinalizados com incidência muito particular no setor da construção civil, das cadeias de abastecimento, transporte e distribuição, caracterizados por “um tipo de trabalho com maior rotatividade”.

“A estratégia é rastrear, testar, sinalizar, quebrar cadeias de infeção e reforçar meios e capacidades em rede e encontrar sempre que necessário condições alternativas de reforço de proteção e segurança”, defendeu Jamila Madeira.

A secretária de Estado Adjunta salientou que está a ser feito “um esforço fundamental” em articulação com todas as atividades no trabalho do terreno com “uma forte intervenção” do INEM, do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) e de todos os laboratórios que trabalham com as autoridades de saúde desde o primeiro dia e que permitem “uma capacidade instalada de testagem até sete mil testes diários o que significará uma capacidade de até 49 mil testes só nesta primeira semana”.

Questionada sobre se teria sido possível iniciar mais cedo a intervenção para travar o contágio nesta região, Jamila Madeira disse que a intervenção foi feita quando a situação o exigiu.

“Todo o momento será sempre um momento de ansiedade. Se podia ter sido um dia antes ou um dia depois, o que podemos dizer é que o dispositivo estava montado, estava a funcionar e estava com uma capacidade suficiente para aquilo que eram as necessidades sinalizadas e que tinham a ver com o desconfinamento”, sublinhou.

Relativamente ao dispositivo que já estava montando, afirmou que houve um reforço da capacidade instalada no sentido de estar mais direcionado.

Jamila Madeira reiterou o apelo “a todos os portugueses, e em especial aos que vivem nesta Região”, para manterem as medidas de segurança.

“Todos temos de ter consciência desta realidade indiscutível, a batalha não está ganha, continuamos a precisar do empenho de todos os portugueses e isso é particularmente importante sublinhar”, vincou, lembrando que o vírus “ainda não tem cura”, é “dissimulado e atinge todos sem olhar a idade, atividade profissional capacidade económica ou origem”.

“Para esta doença, não há invencíveis, não há intocáveis, não há super-heróis, há apenas transmissores hospedeiros que salvaguardam a subsistência do vírus e a sua propagação em toda a parte”, salientou.

Portugal contabiliza pelo menos 1.424 mortos, mais 14 do que no domingo, associados à covid-19 em 32.700 casos, mais 200, confirmados de infeção, segundo a DGS.

LUSA/HN

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