Surge o primeiro protocolo fotográfico para cirurgias de cancro da mama

16 de Junho 2020

É a primeira proposta para padronizar o processo de recolha de imagens destinado a planear as cirurgias do cancro da mama. O cancro da mama é o mais frequente nas […]

É a primeira proposta para padronizar o processo de recolha de imagens destinado a planear as cirurgias do cancro da mama.

O cancro da mama é o mais frequente nas mulheres: só na União Europeia foram detetados mais de meio milhão de novos casos em 2018. Numa grande percentagem de casos, a cirurgia e a reconstrução mamária fazem parte do tratamento. As novas técnicas oncoplásticas requerem um amplo estudo de imagem para preparar a estratégia cirúrgica mais apropriada e personalizada.

Apesar disso, ainda não existia um protocolo padronizado para estabelecer os requisitos de um estudo fotográfico completo, de todas as perspetivas e com ótima qualidade de imagem, além de preservar a privacidade e o conforto das pacientes.

Professores e investigadores de Medicina e de Desenho Industrial da Universidade CEU Cardenal Herrera (CEU UCH) – em Valência, Espanha – colaboraram nesta primeira proposta de protocolo fotográfico para cirurgia do cancro da mama, com a participação de estudantes e em colaboração com a Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM).

O protocolo contempla os planos e os ângulos corretos, as posições apropriadas das pacientes para a recolha de imagens, as especificações ideais dos diferentes tipos de equipamentos fotográficos disponíveis, a uniformidade da luz e a importância de fundos neutros e monocromáticos para a captura de imagens fotográficas bidimensionais.

“A colaboração entre médicos e engenheiros de desenho industrial foi fundamental para definir os diferentes parâmetros estabelecidos neste primeiro protocolo fotográfico de utilidade clínica”, destaca Belén Merck, investigadora principal do projeto, especialista em cirurgia do cancro da mama e professora do curso de Medicina da CEU UCH.

Além das recomendações técnicas das imagens, o protocolo inclui os procedimentos apropriados para garantir a confidencialidade.

“O mais importante é preservar a confidencialidade e garantir o tratamento e o conforto adequados das mulheres neste processo”, diz Belén Merck. “Além das indicações técnicas das fotos, o protocolo inclui numerosos passos, como a assinatura do consentimento informado, o armazenamento e arquivo adequado das imagens, a presença na sala unicamente das pessoas essenciais, a temperatura certa, roupa para cobrir a paciente durante as explicações, impedir que o seu rosto apareça nas imagens, etc.”.

O protocolo elaborado pelos médicos e engenheiros da CEU UCH e da UNAM também inclui uma “checklist” gráfica, que resume as recomendações da captura de imagens em sete etapas, com gráficos explicativos para cada etapa e o ângulo de cada imagem. “O desenho deste protocolo fotográfico pode ser adicionado ao processo de diagnóstico por imagem, com mamografia e ressonância magnética, destinado ao desenho pré-operatório de estratégias cirúrgicas mamárias menos invasivas e mais conservadoras.
Também pode ajudar a explicar à doente o resultado esperado, reduzindo a sua ansiedade em relação à cirurgia e aos resultados estéticos. Permite igualmente que o cirurgião avalie os resultados após a intervenção e obtenha um feedback valioso sobre a intervenção cirúrgica”.

Além de Belén Merck, participaram na realização deste protocolo o engenheiro Alberto Giménez Sancho, professor da Escola Superior de Ensino Técnico da CEU UCH, e a investigadora Mariana Rivero Alvarado, do Centro de Investigação em Desenho Industrial (CIDI) da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM). A equipa contou ainda com a colaboração de Laura Fuertes Cortes, aluna de Medicina, e de Ernesto Muñoz Sornoza, interno de Cirurgia Geral.

NR/HN/Adelaide Oliveira

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