Crianças que deixam comida no prato e comem devagar têm melhor saúde cardiometabólica

3 de Julho 2020

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram, com base num estudo que envolveu quase três mil crianças, que as que deixam comida no prato e comem devagar têm melhor saúde cardiometabólica, revelou esta sexta-feira a responsável.

Em declarações à agência Lusa, Sarah Warkentin, primeira autora do estudo, publicado na revista Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, explicou hoje que o propósito era avaliar o quanto os comportamentos alimentares das crianças aos 7 anos influenciavam o risco cardiometabólico aos 10 anos, isto é, o desenvolvimento de doenças como a obesidade, diabetes e hipertensão arterial.

Por forma a responder a essa questão, os investigadores recorreram a dados de quase três mil crianças que integram a coorte Geração XXI, um estudo longitudinal desenvolvido pelo ISPUP que, desde 2005, acompanha 8.600 pessoas que nasceram nas maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto.

Através de questionários respondidos pelos pais, os investigadores avaliaram os comportamentos alimentares das crianças aos 7 anos de idade e, através de amostras de sangues, recolheram dados sobre os triglicerídeos, o HDL-colestrol, resistência à insulina e a pressão arterial dos participantes aos 10 anos.

“Estes são fatores de risco já muito conhecidos na literatura que aumentam a probabilidade destas crianças terem no futuro doenças cardiovasculares como enfarte agudo do miocárdio, diabetes e outras doenças já descritas”, referiu a investigadora.

Segundo Sarah Warkentin, a associação entre os dados recolhidos mostram que as crianças que manifestam “uma melhor resposta à saciedade”, isto é, deixam mais comida no prato ou comem mais devagar, apresentam “melhor saúde cardiometabólica”.

Por sua vez, as crianças que manifestam um “maior prazer em comer” e pedem mais comida, apresentam “pior saúde cardiometabólica”.

“É importante referir que estas associações dependem muito do peso da criança, isto porque, a partir do momento em que incluíamos o peso da criança nos modelos estatísticos, essas associações perdiam-se”, salientou a investigadora, acrescentando que a saúde cardiometabólica “depende muito mais do peso do que dos comportamentos alimentares”.

À Lusa, a investigadora salientou que, apesar de o peso ser um importante preditor da saúde cardiometabólica, o objetivo da equipa era, efetivamente, “avaliar outros e diferentes parâmetros”.

“A compreensão da influência dos comportamentos alimentares na saúde cardiometabólica das crianças é fundamental para que se possa intervir precocemente e moldar melhor a saúde dos mais novos”, disse.

A equipa de investigadores do ISPUP pretende agora “perceber melhor se os comportamentos alimentares são explicados pela genética ou uma consequência ambiental”.

LUSA/HN

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