Segundo a Respira, estima-se que 14,2% da população Portuguesa viva com DPOC. Destes, menos de 2% tem acesso ao tratamento de reabilitação respiratória. Uma situação que se viu totalmente bloqueada durante a pandemia de COVID-19 quando os pacientes se viram impedidos de continuar a terapêutica nos hospitais.

Esta solução prestada pelos profissionais da Linde Saúde, empresa especializada na prestação de cuidados de saúde ao domicílio e que assiste sobretudo doentes com patologia respiratória crónica, vem assim combater aqueles que são os principais problemas destes pacientes. Segundo Isabel Saraiva, Presidente da Respira e Chair na European Lung Association, existem cerca de 20 centros de reabilitação respiratória – todos na zona litoral, e uma baixa capacidade instalada. Com a pandemia, perto de 100% dos programas foram interrompidos.

Para Maria João Vitorino, Diretora da Linde Saúde, “a implementação de Reabilitação e Fisioterapia Respiratória Domiciliária veio dar resposta aos doentes que se depararam com a impossibilidade de prosseguir com os seus programas de reabilitação, neste contexto de pandemia por COVID-19. Alargamos a nossa oferta de cuidados de saúde domiciliários, aproximando-nos do doente e dando continuidade à Reabilitação Respiratória com a nossa equipa de fisioterapeutas, com vasta experiência nestes doentes respiratórios crónicos”.

“Debaixo deste nome pomposo a reabilitação respiratória é na verdade muito simples. É um ginásio científico, chamemos-lhe assim. Envolve exercício físico coordenado por fisioterapeutas, nutrição, e acompanhamento médico e psicológico. A reabilitação respiratória é um trabalho em equipa que procura ajudar o doente a robustecer o seu sistema respiratório e melhorar a sua condição respiratória com sessões geralmente 3 vezes por semana”, esclarece Isabel Saraiva.

Quanto à baixa percentagem de doentes com DPOC que realiza reabilitação respiratória, Isabel Saraiva culpa sobretudo o reconhecimento tardio do método como uma terapêutica eficaz para estes doentes, a quem se privilegiou desde sempre a medicação.

Já a DPOC é “uma doença respiratória crónica que tem a ver com uma dificuldade de respirar permanente, motivada por problemas na área dos bronquios e dos pulmões. É uma espécie de “chapéu” para uma série de doenças como a bronquite ou o enfizema (a perda de elasticidade do pulmão que dificulta a capacidade de respirar). A DPOC é crónica, ou seja, para vida toda; é progressiva, embora uma boa gestão da doença nos permita viver e conviver com a doença com alguma qualidade de vida; e é uma doença respiratória e que afeta sobretudo o pulmão”. “Esta doença é contraída em 90% das vezes devido ao consumo do tabaco, mas também tem motivos profissionais entre cabeleireiros, empregados das limpezas, de minas, construção civil, e que trabalhem com faiança”, acrescenta a presidente da Respira.

Até agora, o feedback tem sido pouco, mas Isabel Saraiva garante que “as pessoas estão satisfeitas”, sobretudo porque agora não têm de se deslocar aos hospitais, quer seja em transporte próprio ou público, já que a maioria dos pacientes tem mais de 65 anos e pertencem por isso a dois grupos de risco distintos – pela idade e pela condição. Uma situação de “grande conveniência e conforto”.

NR/HN/João Daniel Ruas Marques

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