Segundo a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), que convoca a paralisação e reivindica um aumento salarial de 90 euros mensais, a administração do SUCH “tinha-se comprometido” apresentar uma proposta de atualização dos vencimentos, “mas deu o dito por não dito”.

Este recuo, afirma a federação sindical em comunicado, “é uma afronta aos trabalhadores, dado que a esmagadora maioria deles recebe apenas o salário mínimo nacional”.

Com esta posição, o SUCH “acaba por recusar também a compensação complementar decidida na Assembleia da República para os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde, sendo que os trabalhadores foram equiparados aos funcionários públicos, designadamente os que trabalham nas cantinas, lavandarias, resíduos e manutenção hospitalar”, indica a estrutura sindical.

O comunicado assinala que as condições de laboração “continuam horríveis e violentas para estes trabalhadores” devido à falta de pessoal, às “condições obsoletas” dos equipamentos e instalações, bem como à “ausência de proteção devida dos trabalhadores e testes de despistagem da covid-19”.

Além de um aumento salarial de 90 euros, os trabalhadores reivindicam o pagamento do trabalho ao fim de semana com mais um euro/hora, um subsídio de risco de 7%, atualização do subsídio de refeição para 5,10 euros, um regime de cinco diuturnidades com 20 euros cada, um complemento de doença e de acidentes, bem como uma compensação extraordinária devido à covid-19.

Quanto a cláusulas não pecuniárias, reclamam a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, o reforço do quadro de pessoal e a realização dos testes de despistagem da covid-19.

A par da greve, os trabalhadores do SUCH na região Norte vão realizar uma concentração de protesto à porta do Hospital de São João, no Porto, na quinta-feira, a partir das 08:00. Os da região Centro realizam uma concentração no mesmo dia, mas às 09:00, frente ao Hospital São Teotónio, em Viseu, informa a FESAHT.

Já na sexta-feira, às 08:00, está prevista uma terceira concentração, esta frente aos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do SUCH indicou que a administração retomou as reuniões de negociação com os sindicatos no passado dia 12 e, “não obstante a caracterização do ano 2020 como um ano atípico e incerto, mostrou-se disponível para o diálogo sobre todas as questões, tendo em vista a revisão do acordo de empresa”.

Os representantes sindicais entenderam então “abandonar as negociações e convocar greve para os próximos dias 27 e 28 [quinta e sexta-feira]. Não obstante esta tomada de posição, a postura do SUCH mantém-se de abertura e diálogo”, afiançou.

O SUCH diz que “desde sempre” pugnou, “dentro dos limites da sustentabilidade e equilíbrio orçamental”, pela atualização e reforço das condições laborais dos mais de 3.500 trabalhadores que compõem a sua estrutura.

Referindo-se às condições de trabalho, a fonte sublinhou que a maioria das infraestruturas onde presta serviços “são as próprias instalações hospitalares e, sendo certo que algumas apresentam debilidades que já se encontram identificadas, estas têm sido objeto de negociações entre o SUCH e as diferentes administrações hospitalares”.

Assinalou, por outro lado, que tem adotado “uma atitude proativa de proteção” dos seus trabalhadores face à Covid-19, “cumprindo de forma rigorosa com todas as disposições normativas nesta matéria”.

O resultado, frisa, “é demonstrativo deste rigor pois a incidência residual da covid-19 no universo SUCH (0,3%) prova, inequivocamente, que todos os procedimentos de proteção estão a ser cumpridos e que está a ser realizado um atento e eficaz planeamento e implementação das medidas de proteção”.

O SUCH presta serviços comuns aos hospitais integrados no Serviço Nacional de Saúde, designadamente nas áreas da Engenharia, Gestão de Ambiente Hospitalar, Gestão Alimentar e Gestão de Serviços de Transporte e de Parques de Estacionamento.

LUSA/HN

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