Centro comunitário português distribui ajuda alimentar em Londres

30 de Agosto 2020

Centenas de pessoas estão a beneficiar da ajuda do Centro Comunitário Português em Londres, que está a funcionar como ponto de distribuição alimentar duas vezes por semana a falantes de língua portuguesa e espanhola afetados pela pandemia de covid-19. 

O coordenador, Marco Lopes, estima que entre 200 a 300 lusófonos estejam a usar o serviço, que começou em maio e depende do trabalho de vários voluntários para distribuir cestas com produtos todas as segundas e quintas-feiras à tarde.

“Temos ali no quadro quantas famílias, quantos adultos e quantas crianças. Temos este serviço às segundas e quintas, das 15:00 às 20:00, aberto aos residentes, desde que tenham necessidade de apoio, tenham rendimentos baixos, estejam desempregados ou se não têm documentos, como é o caso de muitos latinos que trabalham nas limpezas. [No caso dos] mais vulneráveis, eu e mais voluntários dirigimo-nos às suas casas”, disse à agência Lusa.

Além do Centro Comunitário Português, estão envolvidos neste esforço os grupos Christian Community of London, Pastoral Alliance e Ibero-Americano, que trabalham com as comunidades latino-americanas, com a ajuda da autoridade local, Lambeth Council.

“É importante trabalhar com todos na comunidade. Eu estava a tentar trabalhar com vários grupos culturais em Lambeth e saber qual era a sua necessidade durante o confinamento. Muitos perderam os trabalhos e outros têm rendimentos baixos. Durante o confinamento muitos centros comunitários fecharam e os imigrantes não tinham acesso a serviços de apoio”, afirmou a consultora Mala Naicker.

Através da organização Healthy Living Platform, foi contratada pelo município de Lambeth para garantir a distribuição de comida na comunidade, procurando produtos alimentares excedentes junto de fabricantes, retalhistas ou empresas.

Pão, legumes e fruta fresca, biscoitos, enlatados, massas ou sumos são alguns dos produtos que são incluídos frequentemente nas cestas, recolhidas no Centro Comunitário em Kennington.

Além das barreiras linguísticas e sociais, Mala Naicker aponta como uma das dificuldades a vergonha de algumas pessoas que precisam em procurar ajuda.

“A maioria das pessoas trabalha e têm rendimentos baixos, mas não querem pedir por orgulho”, vinca.

Vários recusaram ser entrevistados pela agência Lusa, mas Lisa Lopes, atualmente uma das voluntárias, revelou que ela própria é uma utente devido ao impacto que a pandemia teve na sua vida.

“Estou em ‘layoff’, estou a trabalhar menos e a receber 80% [do salário]. Quanto mais a gente conseguir poupar, melhor será porque a gente não sabe como vai ser o futuro. Entretanto em junho eu vim aqui ajudar um dia, porque estavam a precisar de voluntários, eu vi que o trabalho era gratificante e as pessoas necessitam, e então continuei a ajudar”, explicou.

LUSA/HN

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