Fibrose Pulmonar Idiopática: uma doença rara e sem cura em que o diagnóstico precoce faz a diferença

3 de Setembro 2020

De acordo com os especialistas a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença rara e sem cura que afeta pessoas acima dos cinquenta anos. A falta de conhecimento sobre a doença e o facto de ter sintomas comuns com outras patologias dificultam o seu diagnóstico. É por isso que a campanha "FPI, a doença que não espera" visa alertar profissionais de saúde e doentes para a importância do diagnóstico atempado.

No âmbito do mês de sensibilização para a FPI, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a RESPIRA e farmacêutica Boehringer Ingelheim lançam uma campanha de sensibilização para a importância de um diagnóstico precoce e atempado. Os especialistas afirmam que apesar de não haver ainda uma cura, existem fármacos que ajudam a tratar a doença.

António Morais, pneumologista e presidente da SPP, explica que a FPI é uma doença crónica associada “a incapacidade de esforço, com limitação da autonomia, a insuficiência respiratória nas fases mais avançadas da doença e a morte”. O especialista considera que este cenário pode ser retardado com um diagnóstico atempado e precoce. Procurar realizar um diagnóstico “quando a perda de função respiratória é ainda mínima”, recorrendo a exames que permitam detetar as alterações nos pulmões, como é a TAC torácica, e não desvalorizar as manifestações da doença são essenciais para o seu diagnóstico e tratamento.

Na mesma linha de pensamento, a presidente da Associação Respira, Isabel Saraiva, não tem dúvidas da importância do diagnóstico precoce que, no caso da FPI, “pode fazer toda a diferença entre o doente viver mais alguns anos com alguma qualidade de vida ou poucos anos com nenhuma qualidade de vida”.

De acordo com os especialistas a falta de ar, fadiga, cansaço e tosse seca e persistente são alguns dos sintomas da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), uma doença que afeta pessoas acima dos cinquenta anos, tendo maior incidência entre os sessenta e os setenta anos.

Contudo, o diagnóstico precoce ainda não é uma realidade para todos. Seja pela dissociação dos sintomas à FPI, podendo ser facilmente confundidos com os de outras patologias respiratórias ou cardíacas, ou pela falta de conhecimento e sensibilização dos profissionais de saúde, ainda são vários os portadores desta doença que são apenas diagnosticados numa fase mais avançada da mesma. Assim, ao não beneficiarem da terapêutica numa fase inicial, torna-se mais difícil atenuar as consequências da FPI.

É, por isso, essencial “chamar à atenção, porque esta doença existe, os doentes têm necessidades específicas, têm de ter acesso ao diagnóstico e aos tratamentos e a tudo o que conduz a uma melhor qualidade de vida sempre que possível”, reforça Isabel Saraiva.

Apesar das causas da doença ainda serem desconhecidas, António Morais revela que “a predisposição genética, a senescência e as agressões de fatores externos no epitélio alveolar” podem fazer parte do conjunto de situações que induzem à FPI.

Esta campanha pretende assim alertar profissionais de saúde e doentes para a importância do diagnóstico precoce.

PR/HN/Vaishaly Camões

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