A pandemia de covid-19 – que, desde março, já causou pelo menos 953.025 mortos em todo o mundo – obrigou os Estados-membros a “avançarem mais rapidamente”, frisa Isabel Caño, em entrevista à agência espanhola EFE, a propósito do fim do seu mandato no CESE.

A UE tem um modo de decisão “talvez um pouco lento, mas a covid acelerou-o muito”, realça.

“Creio que estamos numa altura histórica, talvez diferente, com grandes dificuldades, mas, por outro lado, com uma grande necessidade e creio que essa necessidade de trabalhar, de avançarmos juntos, pode ser uma nova etapa para o projeto europeu”, antecipa a vice-presidente, responsável pela comunicação do CESE, órgão consultivo da UE, durante os últimos dois anos e meio.

“Mais do que nunca precisamos de livre circulação, mais do que nunca precisamos de coordenação entre os nossos sistemas de saúde, mais do que nunca devemos preservar o nosso emprego, a nossa investigação, as nossas empresas. Há muito a fazer, mas creio que tem havido sinais de que o projeto [europeu] está vivo, tem de avançar”, assinala.

Para Isabel Caño, também representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT) em Bruxelas, o papel da Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, tem sido essencial.

Apesar do “medo” e da “confusão” inicial face à pandemia, que levou muitos Estados-membros a fecharem fronteiras, a Comissão foi capaz de adotar medidas “muito fortes” nas primeiras semanas da pandemia, de forma “muito inovadora e muito rápida”.

Caño destacou outros exemplos da proatividade da equipa de Von der Leyen, entre os quais a gestão e a coordenação de recursos humanos e materiais para combater o novo coronavírus – detetado no final de dezembro, em Wuhan, na China – e o desbloqueio de fundos milionários para preservar o emprego ou apoiar as pequenas e médias empresas e os agricultores, afetados por uma paragem sem precedentes.

Para alem do combate à pandemia, são urgentes avanços nas políticas verdes e digitais, defende a vice-presidente do CESE, defendendo o papel do diálogo social e da negociação coletiva.

Caño antecipa que levará “alguns anos” até chegarmos a uma forma “decente” de teletrabalho, com regulamentação dos salários, direito a desligar e políticas de conciliação.

Caño refuta a debilidade da Comissão e assevera que Ursula von der Leyen tem “ideias claras”, concedendo, porém, que a resposta “nacionalista” de alguns Estados-membros face à pandemia revelou alguma “debilidade europeia”.

Mulher e sindicalista, Caño prefere assinalar os passos que faltam dar para “a igualdade real” entre homens e mulheres, sublinhando que a nomeação de Von der Leyen, a primeira mulher presidente da Comissão em 62 anos de projeto europeu, e que escolheu um colégio de comissários próximo da paridade, permite “sonhar” com essa meta.

LUSA/HN

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