OMS revela que mais de 80% dos casos em África são assintomáticos

24 de Setembro 2020

Mais de 80% dos casos de Covid-19 em África são assintomáticos, segundo a análise preliminar da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a região, que está agora a estudar a presença de anticorpos nestas comunidades.

Os dados foram esta quinta-feira revelados pela diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, durante o briefing online sobre a evolução da pandemia no continente, que hoje juntou vários especialistas para analisarem se o pior da pandemia em África já acabou.

“A nossa análise preliminar sugere que mais de 80% dos casos nos países africanos são assintomáticos”, disse Matshidiso Moeti, acrescentando que a reforçar esta indicação está o facto de, na maioria das comunidades, as instalações de saúde não terem sido sobrecarregadas por casos graves da doença.

Moeti classificou de “muito elevada” esta percentagem de assintomáticos, ressalvando que resultam de indicadores que precisam agora de ser confirmados.

Atualmente, “estão em curso estudos para testar se as comunidades têm anticorpos para a Covid-19”, afirmou.

Se isso se confirmar, “significa que as pessoas foram infetadas, mas não detetadas”. Moeti referiu ainda que alguns resultados iniciais apontam para “um número mais elevado de infeções do que as relatadas”.

Num encontro em que esteve em debate a resposta do continente à pandemia, Matshidiso Moeti recordou que, mesmo antes de os primeiros casos serem relatados em África, em fevereiro, a OMS já se encontrava a trabalhar com os vários Governos e parceiros para “aumentar a preparação e capacidade de resposta à Covid-19 e a outras doenças infecciosas”.

“A partir de março, os governos implementaram rapidamente restrições à circulação, o que criou uma janela de oportunidade para manter baixo o número de casos e reforçar a capacidade de resposta da saúde pública”, prosseguiu.

Moeti deixou, contudo, um aviso: “No futuro, os países devem continuar a reforçar os dados e a informação, a implementação dos principais instrumentos de vigilância, testes, isolamento e rastreio de contactos em matéria de saúde pública”.

Para Sam Agatre Okuonzi, médico no Hospital de Arua, uma unidade de saúde de referência no Uganda, as piores previsões que no início da pandemia causaram o pânico no país não se confirmaram.

O clínico diz que é várias vezes confrontado com perguntas sobre o que protege o continente nesta pandemia, avançando que existem várias explicações, da temperatura à altitude, passando pelos comportamentos das populações, a sua idade, entre muitas outras hipóteses, nenhuma confirmada.

Neste encontro virtual participaram igualmente Francisca Mutapi, professora de Saúde Global, Infeção e Imunidade na Universidade de Edimburgo, e Mark Woolhouse, professor de epidemiologia de doenças infecciosas no Instituto Usher na Faculdade de Medicina e Medicina Veterinária da Universidade de Edimburgo.

O primeiro caso de Covid-19 em África surgiu no Egito em 14 de fevereiro e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

Desde então, foram infetadas 1.429.360 pessoas, das quais 34.836 morreram.

A pandemia de Covid-19 já provocou pelo menos 971.677 mortos e mais de 31,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo Revela Lacunas no Reconhecimento e Combate à Obesidade em Portugal

A HealthNews esteve esta manhã na apresentação da 9.ª edição do estudo “Saúde que Conta 2025”, em Lisboa. O evento, moderado pelo jornalista João Moleiro da SIC, contou com a apresentação da investigadora Ana Rita Pedro e reuniu especialistas em painel para debater os alarmantes dados sobre obesidade, literacia em saúde e a urgência de mudar a narrativa em Portugal. Os resultados mostram que uma em cada sete pessoas com obesidade não reconhece a doença e que persiste um forte estigma social

Médicos em greve geral contra reforma laboral e colapso do SNS

A Federação Nacional dos Médicos junta-se ao protesto nacional de 11 de dezembro, acusando o governo de promover uma reforma que precariza o trabalho e agrava a degradação do Serviço Nacional de Saúde, com consequências diretas nos cuidados aos utentes

O lenhador, o aprendiz e o médico do trabalho

José Patrício: Médico Especialista em Medicina do Trabalho e em Medicina Nuclear, com formação e competência em Avaliação do Dano na Pessoa e Curso de Técnico de Segurança no Trabalho. Candidato pela Lista A ao Colégio de Medicina do Trabalho, encabeçada por Carlos Ochoa Leite. Conta com 20 anos de experiência clínica e 10 anos de atividade em Investigação e Desenvolvimento como Gestor Médico no Departamento de I&D da BIAL. É Diretor Clínico de serviços externos e internos de Medicina do Trabalho.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights