“Acompanhando o lento relançamento da economia nacional, o serviço público de transporte em táxi vive uma maior procura quando comparado com o tempo do confinamento, mas muito longe dos valores de período homólogo de 2019”, disse à Lusa o presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos.

O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóvel Ligeiro (ANTRAL), Florêncio Almeida, alertou que o setor “está uma desgraça” e reconheceu que se perdeu “entre 70% e 80% de receitas” desde o início da pandemia, em março.

As quebras de serviço, a rondar os “80% a nível nacional”, de acordo com Carlos Ramos, vêm “sendo variáveis de central para central e de unidade de operador para unidade de operador”.

Embora tenha tido alguma esperança de que, “com a abertura de escolas e a retoma de muitos serviços, as coisas iriam melhorar”, Florêncio Almeida afirmou que, na verdade, a situação piorou: “Desde 15 de setembro que os serviços têm vido a diminuir ainda mais”.

Ambos os responsáveis foram perentórios em admitir que a pouca procura provoca, em todo o país, a paragem de centenas de motoristas de táxis, que, sublinhou Carlos Ramos, “optam por anular custos através da paralisação das viaturas”.

“Temos centenas de carros parados em Lisboa, alguns entregaram as licenças à câmara, mas apelámos para que não o fizessem, só que parassem, que encostassem o carro”, avançou Florêncio Almeida, lembrando que a pandemia que se está a atravessar “é um motivo de força maior” para justificar estar parado.

Carlos Ramos reconhece que não podem ser apresentados dados finais de quantos táxis pararam, já que “diariamente há flutuações de mercado que acompanham as notícias da pandemia”, mas diz que não estarão muito longe dos valores do tempo de confinamento, em que “cerca de 18 mil profissionais estavam fora de serviço”.

Também o número de empresas/gerentes ou motoristas em ‘lay-off’ é difícil de aferir, de acordo com os responsáveis, já que os organismos não possuem esses dados.

Em junho, o Governo decidiu avançar com a criação de um grupo de trabalho que terá como missão a apresentação de recomendações para promover a modernização deste setor e, de acordo com os representantes, as reuniões têm vindo a realizar-se, embora ainda sem conclusões.

Carlos Ramos avançou estar aprovada “uma agenda de trabalhos” e disse que “a procura de consenso é permanente”, frisando que quando surgirem “compromissos entre as entidades envolvidas serão publicamente anunciados”.

Já Florêncio Almeida reconheceu “não existirem grandes avanços”, sublinhando a existência “de muita visão” sobre os problemas.

“Mas se as medidas não forem impostas a nível governamental vai ser difícil implementar no setor, porque há interesses implementados e muitos condicionalismos”, frisou.

NR/HN/LUSA

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