Programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade” no bairro da Bela Vista cria estúdio e soma 31 projetos

29 de Outubro 2020

A Câmara de Setúbal já desenvolveu um total de 31 projetos desde o lançamento do programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade”, em 2012, com o objetivo de promover a participação dos cidadãos da Bela Vista na vida comunitária.

“O programa tem uma característica muito interessante: é feito pelas pessoas e só existem projetos se as pessoas os fizerem. A Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e outras entidades apoiam”, disse à Lusa o vereador da Habitação, Carlos Rabaçal.

A iniciativa, que envolve os cinco bairros da Bela Vista (Bela Vista, Forte da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Manteigadas e Quinta de Santo António) tem, no seu entender, “contribuído para melhorar o comportamento e a visão das pessoas em relação ao seu bairro, bem como para melhorar a relação do bairro com a sua cidade e da cidade com o bairro”.

O programa, acrescentou, tem sido acompanhado, e muito elogiado, em diversos países europeus e de outros continentes.

Um dos projetos, no qual o município investiu cerca de 100 mil euros, foi a construção de um estúdio de som e imagem na Bela Vista, uma proposta apresentada pelos próprios moradores num encontro realizado há cerca de três anos.

“Num dos encontros com moradores que fazemos regularmente, em que se avalia o que se está passar no programa e se propõe o que vem a seguir, foi proposta a criação do estúdio”, disse o vereador comunista.

“Na altura parecia uma coisa muito longínqua. E levou ainda algum tempo – levámos cerca de três anos a montar este projeto”, acrescentou.

De acordo com o autarca, o projeto responde a uma necessidade da comunidade, dos jovens e menos jovens, e está aberto ao conjunto da cidade e até a pessoas de fora da cidade e do concelho.

Para assegurar o apoio ao desenvolvimento da formação técnico-artística dos utilizadores do novo estúdio, a Câmara de Setúbal assinou um protocolo com a Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afrodescendentes, que ajuda no processo de aprendizagem e na utilização dos equipamentos disponíveis.

“É um projeto que vem integrar-se como uma peça fundamental, uma âncora de uma resposta cultural e artística, neste espaço do `Nosso Bairro, Nossa Cidade’ na Bela Vista, que é uma oficina de cultura e de participação comunitária, onde se fazem dezenas de outras atividades quotidianamente”, sublinhou Carlos Rabaçal.

O objetivo é que este seja um centro de produção musical e de vídeos, inclusive sobre as temáticas do programa.

“Ainda antes de estar pronto, este estúdio produziu uma série de vídeos para apelar, pela voz dos próprios moradores, a comportamentos adequados a este tempo de pandemia”, contou.

O novo estúdio inclui uma sala multiúso e já está a funcionar há cerca de um mês sob a orientação do rapper português Nuno Santos (Chullage).

“Há aqui uma série de artistas jovens, outros mais velhos – artistas africanos, ciganos, brancos -, que, em várias esferas culturais, têm uma expressão incrível aqui nesta comunidade, nos vários bairros da Bela Vista. Eles fazem música, fazem apresentações na sala multiúso […] e estão a gravar vários ‘singles’ dos seus projetos pessoais e coletivos”, contou o músico.

A experiência, acrescentou, “tem sido incrível”: “Desde que o estúdio aqui está, eu é que não tenho mãos a medir para a demanda deles. Há uns que querem gravar, outros que querem aprender a dirigir e a produzir, a conduzir o processo. Estou surpreendido e contente”, descreveu Chullage.

LUSA/HN

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