Mário Santos, médico de família
Membro da candidatura Ser APMGF

Inovar a Associação (APMGF)

03/11/2020 | CSP

Longe vão os tempos em que a Associação desempenhava um papel relevante de acolhimento e reconhecimento, em resposta às necessidades básicas da existência profissional dos médicos de família: a segurança e a auto-estima. A sua acção foi inestimável na construção da identidade de um novo perfil médico, com competências basilares e operativas únicas. Não menos importante, foi a sua intervenção na educação contínua dos médicos, que se tornavam mais capazes para lidar com aqueles para quem trabalhavam: os pacientes.

Nos primeiros 20 anos, a Associação congregava e influenciava, conferida pelo força da representatividade. Tinha competência e não tinha concorrência. A Associação era o palco da Medicina Geral e Familiar e uma luz para muitos médicos de família. Alguns dos seus associados dividiam atenções com os Institutos de Clínica Geral e as respectivas Direções de Internato, que com empenho e competência, ofereciam dignidade e futuro à especialidade. Mas também promoviam estima às novas gerações, estimulando a autonomia e o auto conhecimento.

Nos últimos 15 anos quase tudo se transformou. Com DNA da Associação, a conceção das Unidades de Saúde Familiar (organismos mais ajustados às necessidades de auto-realização e às exigências do ambiente) levou os médicos daquelas unidades ao encontro de outro hospedeiro mais representativo – a USF-AN. Este novo órgão corporativo, soube atrair motivações e ambições.

A APMGF ficou assim quase vazia, de massa crítica e de sentido. Parte significativa dos associados e principais quadros, nascidos e amadurecidos na organização, partiram. A Associação perdeu interesse, importância e influência. Entrou em crise de existência, sem ver saída. Enalteço aqui a coragem de todos os Colegas que com assinalável resiliência, nunca desistiram, esperando por um novo desígnio, uma outra visão.

Mas para ter outra visão, a Associação precisa de reinventar-se, de inovar.

Julgo que para se reinventar, precisa de duas inovações decisivas: uma nova cultura organizativa, entendida aqui como um “sistema de valores e crenças compartilhados, que determinam o comportamento dos que compartilham”, e um novo estilo de liderança – uma liderança transformadora – que mostre uma visão estratégica e sinérgica, de forma a promover um relacionamento mais colaborativo e interativo, com todos os membros da equipa, e entre estes e os associados que representam.

Sem estas condições, a APMGF tenderá a praticar uma gestão mais reativa – de curto alcance, a lidar com o problema imediato – e menos proactiva – de horizonte maior, que encoraja a aprendizagem e o desenvolvimento. João Caraça, escreveu que “Para inovarmos, precisamos de nos associar de modo diferente. A inovação consiste em separar o que está junto (os grupos de interesses estabelecidos, as “capelinhas”) e em juntar o que está separado (em novas parcerias criativas e eficientes), esperando que, a seu tempo, estas não se tornem obstáculos e barreiras à inovação necessária”.

“Inovar” foi também o conceito chave, selecionado pela candidatura Ser APMGF,
para divulgar o programa de candidatura à atual liderança nacional da Associação. O significado que lhe damos – “transformar e melhorar” – traduz o espirito e a vontade dos seus autores. Esta outra opção de ideias, conteúdos e pessoas, que pretende liderar os destinos da Associação no próximo triénio, é também uma inovação inusitada oferecida aos sócios, que têm a oportunidade, de não se abster da vida associativa, mas em alternativa, escolher inovar.

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