Associação de Bragança classificou como “um absurdo” restrições no comércio e pede revisão

9 de Novembro 2020

A Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança (ACISB) classificou esta segunda-feira como “um absurdo” as restrições do Estado de Emergência, por entender que “representam a morte acelerada de muito pequenos negócios”.

Num comunicado assinado pela presidente, Maria João Rodrigues, a representante dos comerciantes deixa “o apelo público e ordeiro para que se revejam” as últimas medidas impostas, que encara “com profunda preocupação”.

“Não existimos para incentivar a revolta, esse não é o nosso propósito, mas existimos para dar voz aos nossos associados e, face a esta responsabilidade, temos de dizer claramente que as medidas representam a morte acelerada de muitos pequenos negócios, que são o pulmão da nossa economia, são o coração da estabilidade social do nosso território”, sustenta.

A ACISB sublinha que “os estabelecimentos de diversão noturna, bares e discotecas, estão em morte lenta, as empresas que se dedicam a eventos ou morreram ou estão a morrer lentamente” e, com as medidas agora em vigor, alerta para a “morte anunciada de restaurantes e estabelecimentos de bebidas, mas também de outros setores do comércio que já caminham moribundos”.

As novas regras, sobretudo o recolher obrigatório ao fim de semana a partir das 13:00, são consideradas pela associação “um absurdo” porque, “para além de fechar os estabelecimentos comerciais nos únicos dias em que havia algum negócio, vai levar a uma concentração exagerada de pessoas, nomeadamente, nos supermercados e locais de venda de produtos de primeira necessidade e a um consequente aumento risco de contaminação”.

“O Estado somos nós, o Estado é suportado pelos nossos impostos, dos cidadãos individuais e das empresas, não podemos permitir que o Estado que alimentamos seja o mesmo que nos retira a comida da mesa”, acrescenta.

A associação alerta que os comerciantes locais “estão a entrar em desespero, são muitas vidas em jogo, muitas famílias que se sentem abandonadas”.

A ACISB critica também as ajudas anunciadas pelo Governo, que considera “desajustadas e insuficientes” e “desenhadas quase sempre por quem tem o ordenado garantido ao final do mês, haja ou não circulação de pessoas nas ruas e consumo nos mercados”.

A representante do comércio considera ainda “injusto e incoerente” que se peça aos empresários para “fechar nos poucos momentos em que há possibilidade de negócio” depois de terem acatado as medidas impostas pelo Governo de adaptação às regras sanitárias da pandemia Covid-19.

Em vez das restrições agora impostas, a ACISB defende “uma maior fiscalização, por parte das entidades competentes, e que efetivamente se puna quem não cumpre, cidadãos individuais e empresários” e “um alargamento de horários, para evitar concentração de pessoas”.

Reclama ainda que “se olhe com realismo para cada setor de atividade e que se adotem medidas coerentes, que se apoie quem precisa desse apoio”, argumentando que “fica mais barato ao Estado apoiar o setor privado para evitar despedimentos”.

A ACISB ressalva que “compreende a necessidade de travar a pandemia, de adotar medidas duras para quebrar as cadeias de contaminação e controlar este vírus, mas não pode concordar que se adotem medidas tão nefastas para os comerciantes e prestadores de serviços, sem que comprovadamente se saiba da sua eficácia”.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de um milhão e 250 mil mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 2.896 em Portugal.

Portugal entrou hoje em estado de emergência, desde as 00:00 até 23 de novembro, para combater a pandemia de Covid-19.

A circulação estará limitada nos próximos dois fins de semana entre as 13:00 de sábado e as 05:00 de domingo e as 13:00 de domingo e as 05:00 de segunda-feira nos 121 concelhos de maior risco de contágio.

O Governo decretou também o recolher obrigatório entre as 23:00 e as 05:00 nos dias de semana, a partir de segunda-feira e até 23 de novembro, nos 121 municípios mais afetados pela pandemia.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Doentes urgentes esperam hoje mais de 14 horas no Amadora-Sintra

Os doentes classificados como urgentes que procuram o Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, enfrentam atualmente tempos de espera superiores a 14 horas para a primeira observação médica, de acordo com dados do portal do SNS consultados esta manhã. 

O relatório OCDE e o resto: o que os números da saúde não mostram

Praticamente toda a população portuguesa tem cobertura para um conjunto central de serviços de saúde, atingindo a universalidade. Contudo, apenas 58% dos cidadãos dizem estar satisfeitos com a disponibilidade de cuidados de qualidade, um valor que fica abaixo da média dos países mais desenvolvidos

Prevenção em Contraciclo: Os Dois Rostos da Qualidade da Saúde em Portugal

O relatório “Health in a Glance 2025” da OCDE revela um sistema de saúde português com contrastes. Enquanto a adesão ao rastreio do cancro da mama, com 55,5%, fica aquém da média da OCDE, a prescrição de antibióticos mantém-se elevada, sublinhando desafios antigos na prevenção de doenças e no uso prudente de medicamentos

Assimetrias Regionais em Saúde Desenham Dois Países Diferentes Dentro de Portugal

Um retrato detalhado do sistema de saúde português revela um país cindido por assimetrias regionais profundas. Enquanto o litoral concentra hospitais e especialistas, o interior enfrenta desertificação médica, acessos limitados e piores resultados de saúde, desde uma menor esperança de vida a uma maior mortalidade prematura. As políticas públicas existentes são apontadas como insuficientes para travar este fosso, que espelha desigualdades socioeconómicas

Disparidades de género na saúde: Homens morrem mais cedo, mulheres vivem mais anos doentes

Em Portugal, como no resto da OCDE, os homens vivem em média menos 5,8 anos do que as mulheres, mas o paradoxo de género revela-se nos detalhes: elas passam uma proporção significativamente maior da sua vida em pior estado de saúde. Esta dupla realidade, com os homens a morrerem mais cedo de causas externas e doenças cardiovasculares e as mulheres a carregarem um fardo pesado de doenças crónicas e incapacitantes, desafia os sistemas de saúde a desenvolverem respostas mais direcionadas

Saúde dos Profissionais de Saúde: O Elo Mais Fraco do Sistema em Portugal

O relatório da OCDE revela uma crise silenciosa a minar o SNS: o esgotamento extremo dos seus profissionais. Com 47% dos médicos e 52% dos enfermeiros com burnout, Portugal destaca-se negativamente na Europa. Este não é apenas um problema de bem-estar individual, mas uma ameaça direta à qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados à população

Relatórios internacionais alertam para dupla desigualdade na saúde: entre géneros e entre ricos e pobres

Portugal observa uma transformação subtil na forma como encara a população mais velha. Para lá dos números, ganham corpo iniciativas que procuram responder ao desafio do isolamento e da inatividade, envolvendo autarquias, instituições de solidariedade e os próprios idosos na construção de respostas que vão do exercício físico ao apoio comunitário. Um movimento que tenta, devagar, mudar uma cultura

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights