São palavras da Dra. Julie L. Gerberding, M.P.H. Vice-presidente Executiva e Chief Patient Officer na MSD, e ex-diretora dos Centros para o Controlo e Prevenção, a primeira oradora da conferência exclusivamente dedicada a jornalistas que recaiu sobre a importância do jornalismo científico em tempos de Covid-19. A conferência aconteceu esta sexta-feira.

No ponto de vista de Julie Gerbeding situações como estas vão passar a fazer parte do futuro, “a não ser que nos preparemos”. “Precisamos de perceber que este tipo de doenças e a maneira como surgem e se propagam faz parte do futuro. Temos que fazer um melhor trabalho para nos prepararmos para conter e combater surtos destes no futuro”, explicou.

Para a vice-presidente executiva da MSD, a situação pandémica atual veio mostrar que “investir em saúde é investir em segurança nacional”, mas que “não adianta estarmos protegidos se formos os únicos”. Por isso mesmo, um futuro esforço para prevenir pandemias como esta tem que ser feito a um nível global.

“Umas das coisas que aprendemos é que vivemos num mundo mesmo muito pequeno, e que estamos tão seguros quanto o elo mais fraco”, acrescentou explicando que situações como a urbanização e a deslocação de comunidades de refugiados – que muitas vezes vivem sem condições sanitárias – são alguns dos catalisadores de surtos como o de Covid-19.

De acordo com Julie Gerbeding, estão neste momento mais de 700 produtos em desenvolvimento que procuram curar ou tratar a Covid-19. Estes produtos estão, na sua maioria, ainda sujeitos a aprovação de entidades como a FDA ou a Agência Europeia do Medicamento.

“Estamos na terceira vaga. É trágico, mas não surpreendente (…) e podemos esperar que a situação piore no hemisfério norte, à medida que se aproxima o inverno” prevê a executiva da MSD.

Assim, a esperança recai sobre uma vacina eficaz contra a Covid-19 que poderá surgir já no início do próximo ano. A Dra. Fabiane El-Far, Diretora Executiva de Doenças Infeciosas da MSD para a América Latina, a segunda oradora da conferência, acredita que tal seja possível, mas adianta que a situação está longe de estar resolvida, até porque, de acordo com números da OMS, as pessoas vacinam-se cada vez menos. Um dos exemplos é o do sarampo.

“A cobertura de vacinas diminuiu antes do surto de Covid-19, um dado comprovado pelo número crescente de surtos de sarampo. Esta era uma situação que estava controlada porque a taxa de cobertura da vacina era superior a 90%”, explicou.

“Só quando houver uma vacina é que o mundo vai voltar à normalidade, mas isso pode não ser bem assim, porque os inquéritos mais recentes dizem que muita gente se vai vacinar”, adiantou a Dra. Fabiane El-Far.

De acordo com a especialista, o retrocesso na vacinação assenta em três pontos essenciais: a complacência da população em vacinar face às dúvidas quanto ao efeito das vacinas; os eventuais problemas de conveniência devido à acessibilidade e distribuição das vacinas a nível mundial; e uma crescente falta de confiança na segurança das vacinas. Por isso mesmo, refere a especialista, “é preciso fornecer informação precisa à população”, para que possam tomar decisões informadas e acertadas.

Questionada quanto ao processo de vacinação, a Dra. Fabiane El-Far admite que não sabe qual seria o método mais eficaz de distribuir a vacina, nem se chegará primeiro aos países mais afetados, mas defende a utilização de um calendário que priorize as populações de risco. De acordo com a representante da MSD, “será impossível vacinar toda a população mundial em meses, ou até mesmo em anos”, pelo que acredita na manutenção de medidas de prevenção como o uso de máscara, o distanciamento social e a lavagem e desinfeção recorrente das mãos durante um tempo indeterminado, que pode chegar a anos.

 

 

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