Andarilho inteligente melhora a estabilidade e marcha patológica dos doentes

12 de Novembro 2020

Através de inteligência artificial e de um “design próprio”, a Universidade do Minho criou um andarilho inteligente que permite uma maior segurança, maior estabilidade e apoio ao diagnóstico através da quantificação e análise da marcha. Esta nova tecnologia vai contribuir para dar resposta aos casos mais difíceis.

De acordo com a coordenadora do projeto, Cristina Santos, “esta tecnologia 100% portuguesa permite melhorar a estabilidade e a marcha patológica do paciente, além de monitorizar o seu estado físico, apoiando assim os terapeutas numa reabilitação eficaz e inteligente”.

O novo andarilho inteligente vai ser essencial para os casos mais difíceis, uma vez que “por falta de soluções estáveis, os pacientes acabam por ser indicados para cadeiras de rodas”. A líder do projeto garante que a estabilidade e diferenciação deste “smart walker” é conseguida através da inteligência artificial e de um design próprio, garantindo menor probabilidade de incidentes a quem padece de descoordenação dos movimentos ou ataxia.

Permite também vários contextos de utilização: em modo manual, com total controlo do utilizador; com controlo à distância por outrem, como por exemplo monitorizado e conduzido pelo fisioterapeuta; em modo pré-programado/autónomo, com meta pré-estabelecida, ajustando-se no percurso e desviando-se de eventuais obstáculos; e em modo misto, sendo conduzido pelo utilizador mas com alarmes a avisar os obstáculos, o afastamento corporal ou eventuais riscos.

Outra potencialidade deste equipamento multifuncional é realizar o apoio ao diagnóstico através da quantificação e análise da marcha. Ou seja, através de um sistema de sensores são recolhidos dados posturais e gestuais, permitindo estabelecer padrões para posteriores avaliações médicas e terapêuticas.

Este projeto, designado “EML – Equipamento Multifuncional de auxílio técnico à Locomoção”, envolveu engenheiros eletrotécnicos, informáticos, biomédicos e clínicos. Teve a sua origem no Centro Algoritmi, evoluindo depois no Centro de Investigação em Microssistemas Eletromecânicos (CMEMS), ambos na UMinho, em Guimarães. A inovação foi validada nos serviços de Ortopedia e de Reabilitação do Hospital de Braga e no Centro Clínico Académico, tendo sido alvo de teses de mestrado e doutoramento em Engenharia Biomédica.

O projeto será apresentado em pormenor por Cristina Santos, professora do Departamento de Eletrónica Industrial da EEUM, no webinar que decorre esta sexta-feira a partir das 9:30, Aqui. A iniciativa prevê igualmente intervenções de Filipe Soutinho, diretor-geral da TecMinho, Sofia Couto, gestora de projetos da Agência Nacional da Inovação, Francisco Silva, diretor-geral da Orthos XXI, e António Cunha, gerente da Tecnicunha.

LUSA/HN

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