Situação no lar de Alhandra onde morreram 21 idosos está controlada

19 de Novembro 2020

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, afirmou hoje que a situação no lar de Alhandra onde morreram 21 idosos de covid-19 está controlada, fruto de um esforço das entidades competentes.

Em declarações à agência Lusa, o autarca admitiu que se trata de “um processo complicado” que, neste momento “está controlado”, e garantiu que “tudo está a ser feito para que seja rapidamente ultrapassado”.

Segundo o presidente da câmara, o serviço de Proteção Civil municipal tem estado a acompanhar a situação “desde que o surto aconteceu”, assim como todas as entidades competentes, designadamente a Segurança Social e a autoridade de saúde local, “tentando minorar este problema que o lar tem”.

“Foi acionada uma brigada de intervenção rápida e, posteriormente, a Cruz Vermelha também disponibilizou alguns recursos humanos. Neste momento, está em marcha um reforço de recursos humanos através da Segurança social e do Instituto de Emprego e Formação Profissional, através de um programa específico (…) para permitir que muitos dos trabalhadores que foram infetados e que estão em isolamento possam ser substituídos”, referiu.

Alberto Mesquita admitiu também que a “situação é grave”, com “muitos óbitos a lamentar”, e deixou uma palavra de solidariedade aos familiares das vítimas.

O autarca reiterou ainda que o município está disponível para encontrar outras soluções, caso seja necessário, lembrando que existem outros surtos em lares do concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa.

Uma notícia de hoje da TSF dá conta de que um surto da covid-19 vitimou mortalmente 21 utentes do lar da Associação do Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra.

Segundo a notícia, que cita o provedor do lar, as brigadas de intervenção rápida para surtos da covid-19 em lares, equipas que foram criadas pelo Governo e geridas pela Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), demoraram pelo menos uma semana a chegar a Alhandra.

Contudo, em declarações à Lusa, o presidente da CVP, Francisco George, afirmou que a intervenção das brigadas foi feita numa questão de poucas horas, após receber o pedido do lar.

“As brigadas da Cruz Vermelha Portuguesa responderam de forma muito rápida ao pedido que foi formulado exatamente no dia 06 de novembro às 17:00. No dia seguinte, pelas 08:00, sete agentes da ação direta e três auxiliares estavam já a trabalhar em Alhandra”, apontou.

Francisco George ressalvou, igualmente, que a equipa “foi constituída em número e categorias conforme o solicitado” pela direção do lar.

O presidente da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, Mário Cantiga, disse hoje à agência Lusa que a população está “desesperada” com a situação do lar e que há um ambiente de “alarme” na vila, sobretudo pela “falta de informação”.

“Há pessoas que já chegaram ao ponto de dizer ‘corram com o lar daqui porque isto está a infetar a população toda’. As pessoas estão em desespero porque desconhecem a verdade e é só aquilo que se ouve na rua”, referiu o autarca.

Mário Cantiga disse que têm chegado diariamente à união de freguesias telefonemas de familiares dos utentes deste lar que “não conseguem obter informação junto da direção”.

A Lusa não conseguiu, até ao momento, uma resposta da Associação Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra.

Portugal regista hoje 6.994 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o valor diário mais elevado desde o início da pandemia, e mais 69 mortes relacionadas com a covid-19, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

LUSA/HN

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