Uso da máscara aumenta problemas de saúde ocular

A utilização constante da máscara tem aumentado alguns problemas na saúde ocular. De acordo com os especialistas, o risco de irritação e inflamação dos olhos tornou-se mais frequente.

A maioria das pessoas descrevem sistematicamente uma sensação de aumento do fluxo de ar, que, através da máscara, segue em direção aos olhos, durante a respiração. O desconforto do uso deste equipamento de proteção individual é maior em pessoas que usam óculos que têm constantemente as lentes embaciadas.

Para além do desconforto, o aumento de fluxo de ar contribui para a evaporação contínua do filme lacrimal, secando a superfície ocular, o que se traduz num aumento da irritação e inflamação do olho.

Especialistas da área referem que este problema é agravado em pessoas com antecedentes de inflamação ocular e/ou de olho seco. Os sintomas, ou sinais mais frequentes, a que devemos estar alerta são a presença de olho vermelho persistente, comichão, ardência, sensação de picada ou de corpo estranho e eventualmente lacrimejo.

No entanto, Salgado Borges, médico especialista em oftalmologia, alerta para os cuidados que devem ser tidos em caso de comichão ou desconforto na zona ocular. “É crucial não esfregar os olhos, para proteger a córnea e evitando dessa forma o risco de infeção. No caso de sentir vontade imperiosa de mexer nos olhos ou mesmo de ajustar os óculos deverá usar um lenço de papel, em vez dos dedos, e higienizar as mãos frequentemente.”

Comum ao tratamento de todas as situações de irritação ocular, nomeadamente, o olho seco, é a administração de lágrimas artificiais. Porém, há que ter o cuidado de utilizar lágrimas artificiais sem conservantes, uma vez que os conservantes podem ter efeitos tóxicos e ser indutores de alergias, que, por si só, podem agravar a situação de irritação ou olho seco.

Por outro lado, os utilizadores de lentes de contacto devem ter cuidados acrescidos e, sempre que possível, utilizar óculos, uma vez que que mexem mais frequentemente nos olhos, aumentando a probabilidade de contágio.

Segundo o oftalmologista, “sempre que possível, deve-se pestanejar e aplicar um colírio lubrificante (mais conhecido por lágrimas artificiais). Por seu turno, e ainda que não oferecendo uma segurança de 100%, os óculos de correção ou de sol protegem os olhos de gotículas respiratórias infetadas. Relativamente às máscaras, poderá ser benéfico utilizar aquelas que associam as características de uma proteção certificada a uma melhor ergonomia (ou seja, que se adaptem à fisionomia facial), nomeadamente, as que possuem uma prega metálica e moldável para melhor se adaptarem ao dorso do nariz e, desta forma,  diminuir o fluxo de ar nessa zona.”

Apesar do surgimento deste tipo de situações, os especialistas sublinham a importância da utilização das etiquetas respiratórias no contexto atual de pandemia.

PR/HN

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