Marta Temido diz que governo não está a “correr atrás do prejuízo” no combate à pandemia

10 de Fevereiro 2021

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu esta quarta-feira que é preciso melhorar o combate à pandemia de Covid-19, mas assegurou que o governo não está “a correr atrás do prejuízo”.

“É preciso melhorar o processo que temos em mãos e é isso que não desistimos de fazer. Não estamos a correr atrás do prejuízo”, afirmou Marta Temido numa audição na comissão parlamentar de Saúde em resposta a críticas do deputado do PSD Ricardo Baptista Leite.

O deputado, que também é médico, afirmou que está a viver-se “a crise sanitária mais trágica dos últimos 100 anos” e que todos sabiam que “esse período triste da História coletiva” poderia ocorrer e que “era necessário ter evitado”.

“Nós alertámos desde março do ano passado que a falta de preparação teria um custo humano tremendo, que infelizmente se verificou com a brutal mortalidade no nosso país”, disse o deputado, acrescentando: “muitos têm sido os especialistas que têm dito que um dos nossos problemas (…) é que temos andado sempre a correr atrás do vírus ao invés de estarmos um passo à frente”.

“Não há dúvidas de que todos estarão a fazer o seu melhor, mas parafraseando Winston Churchill a verdade é que neste tipo de crises não basta fazer o melhor, é preciso fazer o que é exigido, e mais do que apontar os erros do passado é aprender com esses erros para podermos andar para a frente e evitar que se repitam”, defendeu Ricardo Baptista Leite.

Em resposta, a ministra da Saúde lembrou que se está a lidar com “factos novos” relativamente aos quais, seja em termos de combate à pandemia ou em termos de organização de processos vacinais, se estão a “aprender muitas coisas à medida que se vão fazendo”.

“E a falta de consenso relativamente a alguns temas mesmo entre os cientistas é paradigmática disso. Aquilo que muitas vezes dizem que é o desnorte do Governo e que são questões, como a utilização da máscara ou a não utilização da máscara, tiveram entendimentos técnicos distintos”, salientou, apontando ainda outras situações como a utilização mais massiva ou menos massiva dos testes.

As críticas de Ricardo Baptista Leite também foram refutadas pela deputada socialista Sónia Fertuzinhos, que começou por dizer que está de acordo com o médico quando diz que “não basta fazer o melhor, mas o que é exigido, citando como fez Winston Churchill”.

Dirigindo-se a Batista Leite, Sónia Fertuzinhos disse que “não é apenas o Governo que está obrigado a fazer o que é exigido, é também a Assembleia [da República], são também os responsáveis políticos”.

“Não deixa de ser extraordinário que o PSD sobre, por exemplo, o plano de vacinação seja incapaz de fazer esta simples conta: todas as vacinas que chegaram a Portugal estão a ser administradas”, tendo sido já inoculadas 415 mil vacinas, adiantou.

“As que sobram, senhor deputado, tem a ver com a opção do Governo português de garantir que quem tem a primeira toma também tem a segunda toma. E, portanto, é importante dizer isso aqui (…) porque os portugueses precisam de ter confiança no plano de vacinação e no trabalho que está a ser feito pelo Serviço Nacional de Saúde”, disse a deputada socialista, adiantando que “o ritmo de vacinação em Portugal, tendo em conta as vacinas que chegam da Europa, está a correr a um ritmo positivo, que permite dizer que o plano de vacinação está a correr, mas de facto o PSD parece que corre atrás de tudo o que corre mal”.

Marta Temido adiantou ainda que “Portugal conseguiu que tudo estivesse a funcionar para que as primeiras doses de vacina fossem inoculadas”.

“Que seria de nós se tivéssemos estado sete dias como os holandeses à espera de termos os sistemas de informação prontos para vacinar”, salientou a ministra, acrescentando que “certamente ninguém pediu a demissão do Governo na Holanda por causa dessa dilação de tempo, porque as pessoas compreendem que por muito que seja a ambição, a expectativa relativamente a uma determinada circunstância, por vezes ela demora mais tempo a concretizar-se do que aquilo que desejaríamos sobretudo quando estamos a falar de processos novos”.

LUSA/HN

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