A Administração Nacional de Produtos Médicos chinesa concedeu à Sinopharm autorização para administração à população em geral de uma nova vacina desenvolvida pelo seu instituto da farmacêutica em Wuhan, enquanto a a vacina CanSino foi autorizada para pessoal militar.

O Instituto de Wuhan de Produtos Biológicos, subsidiária da Sinopharm, anunciou quarta-feira ter submetido ao regulador o pedido de aprovação da sua nova vacina contra a Covid-19, com uma eficácia de 72.51% contra o novo coronavírus.

A China desenvolveu e está a usar na sua campanha de vacinação interna duas vacinas contra a Covid-19, através da Sinopharm em Pequim e da Sinovac, cuja vacina CoronaVac está a ser utilizada internamente e em países como o Brasil.

Os resultados da CoronaVac em ensaios clínicos no estrangeiro foram díspares, atingindo os 91% de eficácia na Turquia, mas apenas 50,6% num estudo de maiores dimensões no Brasil.

Ambas as vacinas Sinopharm foram elaboradas com o método tradicional de vírus desativados, e não com a nova biotecnologia utilizada por empresas como a Pfizer e Moderna, que alcançaram eficácia superior a 90%.

A CanSino também já havia anunciado que as autoridades chinesas já estão a avaliar a sua vacina, que em ensaios clínicos demonstrou uma eficácia de 65.28%, com uma só dose, uma tecnologia semelhante às da Astrazeneca e Johnson & Johnson.

Desenvolvida em colaboração com a Academia de Ciências Médicas Militares, instituto dirigido pelo Exército de Libertação do Povo chinês, a vacina da CanSino já foi aprovada para uso de emergência no estrangeiro, nomeadamente no México e Paquistão.

A transparência do desenvolvimento de vacinas pela China tem sido questionado noutros países, nomeadamente na França, onde o presidente Emmanuel Macron disse este mês não haver “absolutamente nenhuma informação” sobre os imunizantes, e que estes não são tão fiáveis como os ocidentais.

Não obstante, alguns países da União Europeia têm considerado comprar vacinas chinesas, dada a incapacidade de fabricantes europeus ou norte-americanos suprirem as necessidades, e a Hungria tornou-se hoje no primeiro Estado-membro a imunizar os seus cidadãos com a vacina do laboratório Sinopharm.

A China espera aumentar a produção das suas vacinas para 2.000 milhões de doses este ano e 4.000 milhões até 2022 um plano ambicioso que visa converter o país no maior fornecedor das nações em desenvolvimento.

Até agora, a China não aprovou vacinas desenvolvidas por farmacêuticas ocidentais.

As quatro vacinas aprovadas podem ser conservadas em temperaturas frigoríficas normais, tornando-as apropriadas a países com menos recursos, para os quais é difícil assegurar o armazenamento em temperaturas tão baixas quanto as necessárias à conservação das vacinas Pfizer e Moderna.

LUSA/HN

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