Em entrevista à Lusa, Delmino Pereira elenca o pós-pandemia como principal preocupação para o ciclismo em Portugal, porque virá “uma crise económica” que causa “grande receio”.

“Depois, quando for possível [retomar a atividade competitiva], podemos vir a ter um problema de natureza económica. E vamos ter. Por isso é que a Federação está atenta e preocupada, porque provavelmente teremos de ter uma capacidade de colaboração com vários organizadores, que, numa altura em que seja possível organizar as corridas, também vão ter dificuldades”, afirma.

Este “problema de fundo”, diz, leva a FPC a reivindicar “mais apoios”, por “todos os custos associados”, como o policiamento, que vão voltar a surgir para os organizadores, numa altura em que se disputarão corridas “sem grande público”.

“Vamos ter dificuldades de retoma, isso é o assunto que mais me preocupa”, atira.

O problema, de resto, levou a FPC a submeter propostas, e a uma tomada de posição, na plataforma destinada ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que este organismo classificou, em carta aberta, como “uma oportunidade perdida” perante a urgência de dotar de meios financeiros as entidades que terão de “reativar a atividade desportiva”.

“Exige-se que o Estado crie condições para a retoma do desporto, no prazo mais breve possível, compreendendo as dificuldades acrescidas do movimento desportivo no pós-confinamento. Quanto maior for o período de paragem, mais difícil será trazer de volta praticantes, sobretudo jovens. Além disso, a crise económica criará barreiras à captação de patrocinadores privados”, alerta o organismo federativo na missiva.

Sobre a retoma competitiva em contexto pandémico, prevista para 10 de abril, com quatro provas organizadas pela própria FPC (Prova de Abertura, as clássicas das Aldeias do Xisto e da Arrábida e a Volta ao Algarve), Delmino Pereira diz que a federação tem “feito tudo o que está ao alcance”.

“Não tem sido possível [voltar à estrada mais cedo]. O ciclismo tem uma complexidade que, com o estado de emergência atual, confinamento e fortes restrições às pessoas na rua, têm levado a que os municípios não tenham interesse nas provas na via pública”, considera.

Como o ciclismo de estrada “é na rua e não em pavilhões ou estádios”, a dificuldade aumenta, esperando o dirigente que “depois da Páscoa a situação esteja mais favorável”.

De acordo com o plano de atividades da FPC, publicado em 15 de dezembro, antes de o número crescente de casos de covid-19 em Portugal ter motivado um novo confinamento, nas próximas semanas deveriam correr-se a Prova de Abertura (07 de março), a Clássica da Arrábida (14 de março), a Volta ao Alentejo (17 a 21 de março) – a primeira prova a ser cancelada – e a Clássica da Primavera (28 de março).

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.508.786 mortos no mundo, resultantes de mais de 112,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.243 pessoas dos 802.773 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

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