Biotecnológica francesa Abivax suspende ensaio clínico por “falta de eficácia”

6 de Março 2021

A biotecnológica francesa Abivax anunciou hoje ter parado, “por falta de eficácia”, os estudos clínicos para um medicamento destinado aos pacientes com covid-19 de risco elevado.

Num comunicado, a Abivax refere que optou por seguir as recomendações do comité de acompanhamento dos ensaios e decidiu parar os estudos na fase 2b/3 do medicamento ABX464, que avalia a capacidade de prevenir a progressão para uma forma grave da doença entre os pacientes de risco elevado.

A recomendação do comité foi baseada numa análise intermédia que avaliou os dados de 305 pacientes que terminaram o tratamento.

Em dezembro de 2020, o medicamento ABX464 para o tratamento da covid-19 obteve o estatuto de prioridade nacional de investigação, o que fez disparar os preços das ações da biotecnológica.

“A comparação dos dados obtidos a partir de pacientes tratados com ABX464 versus o grupo placebo não demonstrou nenhuma diferença na taxa de progressão para doença grave”, lê-se no comunicado da Abivax, que lembra que o estudo, porém, estabeleceu que o medicamento é “seguro e bem tolerado” pelos pacientes.

“Embora este resultado seja dececionante, os dados de segurança positivos do ABX464 nesses pacientes serão muito úteis para as próximas etapas”, comentou Hartmut J. Ehrlich, CEO da Abivax, citado no comunicado.

Em maio de 2020, o tratamento recebeu “luz verde” das autoridades regulatórias francesas (ANSM) para ser testado contra a covid-19, na sequência de um ensaio clínico denominado “miR-AGE” que incluiu 1.034 pacientes.

O ensaio miR-AGE já recrutou 500 pacientes dos 1.034 planeados.

A Abivax acrescenta que a suspensão do ensaio clínico do tratamento da covid-19 “não tem impacto no desenvolvimento do ABX464 em doenças inflamatórias crónicas”, com os resultados da fase “2b” a serem aguardados no segundo trimestre deste ano.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.570.291 mortos no mundo, resultantes de mais de 115,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

LUSA/HN

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