Câmara compra terreno para criar unidade de saúde mental do Hospital da Feira

A Câmara de Santa Maria da Feira vai comprar uma propriedade contígua ao Hospital São Sebastião para aí ser criada a unidade de saúde mental do Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (CHEDV), anunciou esta terça-feira.

Segundo revelou à Lusa o presidente dessa autarquia do distrito de Aveiro, em causa está um terreno com 10.000 metros quadrados cuja compra de 1,5 milhões de euros pelo CHEDV já foi autorizada pelo Ministério da Saúde, mas cuja aquisição efetiva tem sido atrasada por procedimentos no Ministério das Finanças.

“Como não queríamos perder a oportunidade de ficar com aquele terreno mesmo ao lado do hospital, a Câmara decidiu avançar por si própria com a compra e depois, quando o Governo tiver a sua parte tratada, vamos vender novamente a propriedade ao CHEDV, pelo mesmo preço a que a adquirimos”, garante Emídio Sousa.

A aposta específica na saúde mental deve-se ao facto de a instituição que gere os hospitais de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira não dispor de uma valência própria para lidar com patologias nesse domínio e “ter sempre que encaminhar os utentes com esses problemas para hospitais no Porto ou em Coimbra”.

Considerando que o CHEDV serve uma comunidade de aproximadamente 350.000 utentes, o presidente da Câmara da Feira diz que “o que faz sentido é o território abrir a sua própria unidade de saúde mental”, área clínica que considera “importantíssima”, não só devido a patologias como a Doença de Alzheimer, mas também porque os problemas desse foro se vêm agravando em resultado da pandemia de Covid-19 e da crescente crise social e económica.

A criação de uma infraestrutura própria para o efeito ainda exigirá o devido projeto de arquitetura, mas Emídio Sousa refere que a nova propriedade está apta a garantir “uma resposta praticamente no imediato”.

A moradia ali existente apresenta-se “em excelentes condições e é facilmente adaptável” a contexto clínico, viabilizando a realização de consultas e outros serviços, observou.

Além disso, o novo terreno “abre outras possibilidades” à atividade do CHEDV, nomeadamente por possibilitar a criação de um novo parque de estacionamento que alargue a oferta insuficiente do que hoje existe no hospital da Feira.

Aprovado que está pelo executivo o processo de compra, a Câmara conta agora despender “dois a três meses” nas burocracias necessárias para a mudança de proprietários, sendo que o Estado poderá “a qualquer momento” substituir-se ao Município.

“A nossa expectativa é que os ministérios resolvam isto rapidamente e ainda possam vir liderar o processo e fechá-lo em nome do Estado antes de nós darmos mesmo o passo final”, indicou Emídio Sousa.

LUSA/HN

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