Saúde mental tem tido financiamento três vezes inferior ao necessário, diz responsável

O diretor do Plano Nacional de Saúde Mental defendeu esta quarta-feira que esta área nunca foi considerada uma prioridade política em Portugal e que a saúde mental tem tido sempre um financiamento, no mínimo, três vezes inferior ao necessário.

Numa audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do Bloco de Esquerda, Miguel Xavier disse que o investimento que tem sido feito na área da saúde mental tem sido sempre inferior à carga que a doença representa para a sociedade portuguesa.

“Isso separa o nosso país dos restantes países da União Europeia, em que existe proporcionalidade do que é a carga das doenças mentais e daquilo que os países que nelas investem”, afirmou.

O responsável disse ainda que os problemas de saúde mental em Portugal não começaram com a Covid-19, mas que a visibilidade que a Covid trouxe a esta área, a possibilidade de financiamento através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a maior consciência da sociedade portuguesa em relação ao impacto que a patologia mental tem na vida das pessoas são oportunidades para dar um impulso nas respostas necessárias.

“Portugal tem uma dívida com os doentes de saúde mental que ainda não pagou e espero que a passe a pagar nos próximos três a quatro anos”, afirmou.

Miguel Xavier reconheceu que pouco se concretizou nos últimos anos na área da saúde mental por falta de financiamento, sublinhando que a estratégia está desenhada e que, ao nível do financiamento, a única coisa que se concretizou foi a criação das equipas comunitárias.

LUSA/HN

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