Diretor do Africa CDC alerta contra guerra de vacinas

25 de Março 2021

O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana alertou esta quinta-feira contra uma “guerra de vacinas” entre os países, numa altura em que atrasos no envio de vacinas para o continente suscitam receios renovados.

John Nkengasong, que falava na conferência de imprensa semanal do África CDC, em formato digital, a partir da sede da União Africana (UA) em Adis Abeba, Etiópia, manifestou-se “totalmente impotente” quanto ao impacto que irá provocar no combate à Covid-19 em África a decisão do Instituto Serum da Índia suspender o envio para o continente de grandes quantidades da vacina da AstraZeneca, a fim de satisfazer a crescente procura interna.

“Sem o acesso às vacinas, o desafio será cada vez maior. Vamos perder vidas”, afirmou.

Sublinhando que a “batalha tem de ser coletiva”, Nkengasong disse ainda que mantém a esperança no “poder do humanismo”.

“Não há absolutamente nenhuma necessidade, absolutamente nenhuma necessidade que nós, enquanto humanidade, entremos numa guerra de vacinas para combater esta pandemia. Ficamos todos a perder”, afirmou ainda o diretor do África CDC.

O Instituto Serum da Índia produz as vacinas AstraZeneca que estão a ser enviadas para África através da iniciativa internacional Covax, que garante o acesso às vacinas a países de baixo e médio rendimento. Pelo menos 28 dos 55 Estados-membros da UA receberam até agora mais de 16 milhões de doses através da Covax.

As remessas de vacinas através da Covax continuam a chegar a diferentes países africanos. O Sudão do Sul, por exemplo, receberá hoje mais de 100.000 doses.

A Covax tem, no entanto, enfrentado atrasos relacionados com a limitação do fornecimento em termos globais, assim como com questões logísticas. É por isso que alguns países como a África do Sul, a nação africana mais duramente atingida, estão também a procurar vacinas anti-Covid-19 através de acordos bilaterais e através do programa de compras por grosso da União Africana.

A África, com cerca de 1,3 mil milhões de habitantes, espera vacinar 60% da sua população até ao final de 2022, por forma a alcançar a imunidade de grupo.

Esse objetivo não será, quase certamente, atingido sem a utilização generalizada da vacina AstraZeneca, que é vista como central na estratégia global para erradicar a pandemia do coronavírus. A vacina do fabricante anglo-sueco de medicamentos é mais barata e mais fácil de armazenar do que outras e constituirá a quase totalidade das doses enviadas no primeiro semestre do ano através da COVAX.

Especialistas alertaram que até que as taxas de vacinação sejam elevadas em todo o mundo, o vírus continuará a ser uma ameaça global.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Federação apela à dádiva de sangue em época festiva

A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) alertou hoje a população para a importância de doar sangue especialmente na época festiva, quando as necessidades aumentam e a disponibilidade de dadores diminui.

Nova plataforma do i3S acelera a medicina de precisão em oncologia pediátrica

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) criaram organoides que mimetizam tumores cerebrais pediátricos, permitindo “identificar os fármacos mais adequados” e desenvolver “terapias mais eficazes e menos tóxicas”, foi hoje divulgado.

ULS Almada-Seixal à apela à dádiva urgente de sangue

A Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), no distrito de Setúbal, fez um apelo à comunidade no sentido da dádiva urgente de sangue, por ter as reservas do tipo sanguíneo O+ “em nível critico”.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights