05/04/2021 | Opinião

Em tempos de Pandemia, Compromisso de Cuidado Confortador

Patrícia Cruz Pontífice Sousa

Patrícia Cruz Pontífice Sousa

Em tempos de Pandemia, Compromisso de Cuidado Confortador

05/04/2021 | Opinião

A fase que o mundo atravessa leva a repensar a prática. A permanência de transformações na vida social, económica e produtiva, na relação com uma nova visão do futuro para o quotidiano profissional, são um desafio constante para os profissionais de saúde.

O atendimento em saúde, pela associação a uma profissão, orienta-se por saberes especializados dominantes. No contexto das organizações de saúde vários profissionais interagem, enfermeiros, médicos, entre outros, evocando a contribuição de muitos saberes oriundos de diferentes áreas. Todos eles são detentores de capacidades que consigo transportam e se ligam a diferentes funções que, uma vez articuladas, deverão materializar a missão da organização. O modo como cada grupo profissional desempenha o seu papel tem subjacente uma filosofia e ética profissional, na relação com os princípios e valores dessa profissão, estando-lhe associada um conjunto de deveres ou normas, ou seja, uma deontologia profissional.

 Em época de desafios constantes o nosso olhar, sobre o que tomamos em consideração nesta exposição, conduz-nos à reflexão para a situação de crise de saúde pública internacional, provocada pelo novo coronavírus, concretamente a situação de pandemia que nos é oferecida com dramatismo, com sofrimento e desconforto, com tristeza e incerteza. A atenção às pessoas com a doença, concretamente, “casos de covid-19” que estão em tratamento ou estão em recuperação, ou “vítimas”, “famílias de covid-19”, que continuarão a sua vida em família e no trabalho, exige adaptação e ajustamentos.  Não é a comum fragilidade humana que se torna problemática, mas sim, as ameaças e vulnerabilidades inesperadas que envolvem o risco de rotura do equilíbrio, que põem em causa, imediata ou imediatamente, o sentido humano, constituindo desafios muitos deles temíveis, onde a fragilidade é vivida como sofrimento.

Para os profissionais de saúde que estão envolvidos na linha de frente, o cuidado que conforta, torna-se cada vez mais exigente e complexo. No concreto, implica tomar decisões a vários níveis, concretamente na organização dos sistemas de saúde e na tomada de decisão clínica, onde a construção de um cuidado humanizador, de elevadíssimo sentido humano, permita acolher a condição humana fragilizada, exposta a vulnerabilidades e riscos inesperados.

O futuro exige respostas estratégicas. A determinação e o empenho constituem-se determinantes na ação de conforto, vinculada pela atenção particular e aliança de cuidados que se estabelece entre a equipa multiprofissional e a pessoa cuidada, num modelo de referência humanista/afetivo. A relação interpessoal é o que concretiza a ação de cuidado que conforta. É exigido que se declare o compromisso de cuidado confortador às pessoas em sofrimento e desconforto, de forma a antecipar, proteger, a capacitar, a testar, a prevenir, cuidando da Vida como um bem valioso em si, dos que são confiados ao cuidado individualizado e integrador. Fragilidade humana e cuidado humanizador caminham, assim, obrigatoriamente juntos e é o amor que torna virtuoso as relações.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

Share This