Agência Europeia do Medicamento confirma ligação entre vacina da Astrazeneca e tromboembolismos

O responsável pela estratégia de vacinação na Agência Europeia do Medicamento (EMA), Marco Cavaleri, assumiu esta terça-feira a existência de uma “ligação” entre a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca e os casos de tromboembolismos após a sua administração.

“Podemos agora dizê-lo: é evidente que existe uma ligação com a vacina. O que causa esta reação, contudo, ainda não sabemos”, afirmou Cavaleri, numa entrevista ao diário italiano Il Messaggero, acrescentando: “Nas próximas horas diremos que existe uma ligação, mas ainda precisamos de compreender como isso acontece”.

Há já várias semanas que se levantam suspeitas sobre possíveis efeitos secundários graves, mas raros, após terem sido observadas pessoas vacinadas com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca a apresentarem trombose atípica. Depois de uma averiguação no final de março, a EMA prevê reunir-se sobre o caso entre hoje e sexta-feira.

“Procuramos obter uma imagem clara do que se está a passar, para definir precisamente esta síndrome devido à vacina. Entre os vacinados, há mais casos de trombose cerebral em pessoas mais jovens do que seria de esperar. Isto teremos de dizer”, referiu. O responsável sublinhou ainda que as mulheres jovens são frequentemente “protagonistas de casos de trombose”, mas “sofrem menos o efeito da covid-19”, pelo que importa estudar a sua “relação risco-benefício”.

“Não esqueçamos que mesmo as mulheres jovens acabam nos cuidados intensivos por causa do novo coronavírus. Portanto, será necessário um trabalho muito cuidadoso para compreender a relação risco-benefício em favor da vacina para todas as idades”, vincou.

Segundo Marco Cavaleri, “é agora cada vez mais difícil dizer que não existe uma relação de causa e efeito entre a vacinação com a AstraZeneca e casos muito raros de coágulos sanguíneos invulgares associados a uma baixa contagem de plaquetas”.

A EMA deve começar a dar “algumas definições preliminares” já esta semana, mas ainda não pode “indicar limites de idade como vários países fizeram”. Com efeito, Holanda e Alemanha já definiram limites etários para a administração da vacina da AstraZeneca.

“Somos uma agência reguladora e devemos ter dados muito precisos sobre a relação risco-benefício”, observou, continuando: “Quem tiver de gerir uma campanha de vacinação, mesmo sem ter todos os dados disponíveis, pode decidir reservar o AstraZeneca aos mais velhos. Podem fazê-lo e aplicar um princípio de precaução, tendo em conta que têm outras vacinas disponíveis. Nós, porém, decidimos em relação a essa vacina em particular”.

Marco Cavaleri reconheceu também que seria “preferível” a existência de um consenso a nível europeu, mas admite que “não é fácil”.

“Compreendo a exigência europeia de ter uma única voz forte, mas não sei se conseguiremos ter uma indicação deste tipo esta semana. Certamente, a informação sobre o fármaco será atualizada, declarando que alguns eventos adversos estão relacionados com a vacina”, concluiu.

Dezenas de fenómenos tromboembólicos já foram relatados, com alguns a resultar em morte. No Reino Unido, houve 30 casos e sete mortes num total de cerca de 18,1 milhões de doses administradas até 24 de março.

Até agora, a EMA defendeu sempre que “não foi provada nenhuma relação causal com a vacina”, embora não tenha excluído a possibilidade, reiterando que os benefícios da vacinação contra o vírus SARS-CoV-2 superam sempre os riscos.

De acordo com o especialista em microbiologia médica Paul Hunter, da Universidade de East Anglia, entrevistado pela AFP, “as provas apontam mais para que a vacina Oxford-AstraZeneca seja a causa”. Como precaução, vários países decidiram deixar de administrar a vacina abaixo de uma certa idade, entre os quais França, Alemanha e Canadá. Já a Noruega e a Dinamarca suspenderam mesmo a sua utilização.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.862.002 mortos no mundo, resultantes de mais de 131,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

LUSA/HN

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