Médico chinês acusado de plágio após defender coexistência com o vírus

16 de Agosto 2021

Um médico chinês, que tem estado na primeira linha do combate à pandemia de Covid-19 na China, está a ser investigado por plágio, após ter questionado publicamente a estratégia do país de “tolerância zero” com a doença.

A China reivindica ter contido, em grande parte, a propagação da doença no seu território, desde a primavera de 2020, através de restritas medidas de confinamento, uso de aplicações móveis e quarentenas obrigatórias para quem chega do exterior.

Numa altura em que vários países se voltam a abrir e retomam o tráfego internacional, a China voltou, no entanto, a impor restritas medidas de prevenção, que implicaram o isolamento de uma cidade e outras medidas de confinamento, apesar de grande parte da população ter sido já vacinada contra o vírus.

Esta estratégia de “tolerância zero” está a ter um impacto no rendimento e vida de milhões de pessoas, levando os especialistas a alertar que a China vai ter que aprender a controlar o vírus sem fechar repetidamente a economia e a sociedade.

Zhang Wenhong, médico de Xangai que se destacou durante o combate ao surto na cidade chinesa de Wuhan, no início de 2020, apontou que esta nova vaga, da variante Delta do vírus, sugere que a estratégia da China vai ter que mudar, já que a Covid-19 não vai desaparecer.

“O mundo precisa de aprender a coexistir com o vírus”, escreveu Zhang, que tem três milhões de seguidores na rede social Weibo, o equivalente ao Twitter na China.

Zhang expressou dúvidas sobre a estratégia chinesa de “tolerância zero”.

O comentário provocou um aceso debate no país asiático.

Nas redes sociais, Zhang foi acusado de “transmitir ideias estrangeiras”, enquanto outros tentaram desacreditá-lo, levantando a suspeita de que plagiou a sua tese, escrita em 2000.

No domingo, a Universidade Fudan de Xangai, onde Zhang Wenhong desenvolveu o seu trabalho, anunciou a abertura de uma investigação ao virologista.

A abordagem chinesa para controlar a epidemia é um assunto relativamente delicado no país asiático.

Na província de Jiangxi, sul do país, um professor foi detido por 15 dias por defender ‘online’ que a China poderia “coexistir” com o vírus.

O país registou, nas últimas 24 horas, 51 novos casos no seu território, incluindo 13 de origem local.

LUSA/HN

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