“Uma das missões do Núcleo de Internos da SPH, em parceria com a Sociedade, é promover a formação na área da hipertensão arterial e do risco cardiovascular global”, explica Filipe Machado, coordenador do Núcleo de Internos da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH). Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cardiologia e Nefrologia, são algumas das especialidades com maior representação.

HealthNews (HN)– Quais são as principais especialidades representadas no Núcleo de Internos da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH)?

Filipe Machado (FM) – O Núcleo de Internos da SPH agrega jovens internos e recém-especialistas, de todas as especialidades, que tenham interesse pela hipertensão e sejam sócios da Sociedade. A Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cardiologia, Nefrologia, são as especialidades mais representadas.
Uma das missões do Núcleo de Internos da SPH, em parceria com a Sociedade, é promover a formação na área da hipertensão arterial e do risco cardiovascular global. Assim, temos vindo a promover uma série de cursos, com a contribuição dos membros da Sociedade, que visam dar formação nesta área aos internos de formação específica.
Este ano teve lugar a 2ª edição do curso online “Evidências no diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial e risco cardiovascular global”, que registou uma adesão muito significativa. O formato online do curso permitiu aos internos e recém-especialistas que não tiveram possibilidade de assistir em direto, visionar o curso em diferido.
O curso decorreu em três sábados consecutivos, durante os quais fizemos a revisão dos temas essenciais para quem trata deste tipo de doentes, com a participação e interação entre os internos e os palestrantes, especialistas de renome na área da hipertensão.

HN – Qual é o papel do Núcleo em termos de investigação nesta área?

FM – Para além da formação, outra das vertentes do Núcleo de Internos é a promoção da investigação na área da hipertensão. Contribuímos com a divulgação dos projetos de investigação e das bolsas de fomento à investigação da Sociedade para que quem tenha interesse possa desenvolver projetos, saiba onde procurar apoios e submeter os seus trabalhos.

HN – Como encara a adoção de medidas que visam a alteração do estilo de vida dos doentes em conjunto com a medicação?

FM – Qualquer que seja o grau de hipertensão do doente, o tratamento deverá implicar sempre a implementação de medidas de alteração do estilo de vida. Sabemos que, numa boa parte dos casos, será necessária a implementação de terapêutica farmacológica mas a alteração dos estilos de vida é fundamental. Contudo, frequentemente, isso é o mais complexo de fazer e, sobretudo, de manter a longo prazo.
A adoção de estilo de vida saudável, com redução do sedentarismo por exemplo, aumento do consumo de hortofrutícolas e a redução do consumo de sal, por exemplo, tem implicações importantes na diminuição da pressão arterial. Através da adoção destas medidas é possível auxiliar o tratamento farmacológico da pressão arterial, podendo mesmo ser possível vir a reduzir o número ou a dosagem dos fármacos que os doentes tomam.
Este pilar do tratamento deve ser abordado e cimentado em todas as consultas com o doente.

HM – Há algumas questões que preocupem particularmente os internos e recém-especialistas da SPH na abordagem destes doentes?

FM – A todos nos preocupa a quantidade de doentes que estão por diagnosticar. Sabemos que a hipertensão é um fator de risco “silencioso”. Quando dá sinais, frequentemente já o “continuum” cardiovascular está muito avançado.
Outra preocupação, após o diagnóstico, é conseguir que os doentes tenham a pressão arterial controlada e nos alvos pretendidos.
Estas são duas grandes “batalhas” do dia-a-dia.

HM- Com a pandemia, muitas doenças não foram seguidas e monitorizadas convenientemente. Considera que já se está a recuperar o terreno nas doenças não-Covid?

FM – Claramente, a Covid-19 implicou alterações das dinâmicas habituais do funcionamento dos serviços de saúde e teve uma implicação direta no acompanhamento do doente crónico. Sabemos que a esmagadora maioria dos doentes hipertensos são acompanhados nos Cuidados de Saúde Primários, que viram as suas dinâmicas habituais serem alteradas, nomeadamente as consultas presenciais.
Houve atrasos, doentes por marcar, perda de seguimento ou maior espaçamento das consultas do que aquele que seria desejável, com implicação na saúde dos doentes. Penso que agora, com o progressivo retorno à normalidade, vamos conseguir recuperar esses atrasos, que foram especialmente evidentes nos momentos mais críticos da pandemia.

Entrevista de Adelaide Oliveira

 

 

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