Sara Rego
Administradora da F. REGO – Corretores de Seguros

SAÚDE MENTAL: VENCER O TABU, CONSTRUIR SOLUÇÕES

09/09/2021 | Opinião

De entre as nefastas e dramáticas consequências da pandemia da Covid-19, há um conjunto de reflexões proporcionadas pelas circunstâncias a que todos fomos votados que considero particularmente relevantes. Na sua maioria, focam-se na Gestão de Pessoas, nomeadamente na relação das mesmas com o trabalho.

Destacaria, neste espetro, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, o trabalho remoto e a jornada laboral semanal. Recentemente, em resultado de diversos estudos acerca dos impactos do novo figurino laboral nos profissionais, a Saúde Mental adquiriu um significativo espaço na agenda mediática, nomeadamente no que concerne ao papel das Organizações perante a mesma.

Esta é uma discussão que apenas peca por tardia, dada a sua relevância para uma sociedade verdadeiramente evoluída, bem como para a construção de uma Organização moderna, produtiva e sólida. As doenças ou problemas de foro psicológico sofrem de um crónico tabu, como que inferiorizadas, num ranking virtual, mas perfeitamente instituído, perante aquelas do quadro físico, respiratório, cardiovascular ou oncológicas, por exemplo. Este preconceito não poderá ser minorado, face ao complexo impacto do mesmo na abordagem a esta problemática.

A consequência mais imediata desta circunstância prende-se com a desvalorização dos primeiros sinais destes problemas. Ora por preconceito próprio, ora por receio de desvalorização pelos demais, estes sintomas são reprimidos e escondidos das respetivas equipas e da própria Organização. Inevitavelmente, inicia-se um círculo vicioso, em que a ausência de produtividade, as falhas e, consequentemente, a pressão laboral influem negativamente na intensificação destes sinais.

Esta observação visa destacar aquilo que considero essencial: vencer o estigma. Apenas desta premissa será possível partir para um cenário em que Profissionais assumam frontalmente os problemas que estão a enfrentar, e as Organizações construam modelos de acompanhamento, monitorização e atuação sobre os mesmos.

É, neste prisma, que perspetivo com especial agrado o destaque que o tema tem merecido recentemente, bem como a dupla perceção perfeitamente plasmada nas diversas publicações sobre o tema. A primeira tem uma dimensão individual, e prende-se com a noção de que a Saúde Mental é absolutamente vital para o bem-estar, felicidade e equilíbrio de qualquer indivíduo. A segunda assume a vertente corporativa, e a perfeita realização de que a perpetuação das dificuldades psicológicas de um profissional tem consequências seríssimas nos níveis de eficácia, produtividade e de satisfação do cliente.

É nesta última assunção que se funda a indispensabilidade de as Organizações modernas desenvolverem programas e ações de promoção da Saúde Mental no seio das suas equipas, promovendo de forma integrada a trilogia constituída pelo equilíbrio físico, mental e emocional. Este desígnio poderá ser atingido através de um conjunto de princípios e medidas estanques, como a implementação de programas de assistência a colaboradores ou sessões regulares de coaching, mas poderá igualmente ser promovida através de ações pontuais, que respondam aos desafios de cada período, como sessões de meditação ou yoga, workshops sobre gestão de stress e atividades de exercício físico. Paralelamente, destaco um conjunto de práticas que considero de capital importância, como a formação das estruturas de liderança para os problemas de foro psicológico e o incremento de canais de comunicação interna que incentivem à fluidez, transparência e universalização da informação no seio da Organização.

No quadro das aceleradas transformações nas dinâmicas laborais e na antecâmara de um Mundo pós-pandemia cujo figurino ainda desconhecemos, é, portanto, com vincada expectativa e positivismo que encaro a preponderância atribuída à saúde mental como vetor de estabilidade e de sucesso pessoal e organizacional.

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