APEF defende implementação do rastreio da hepatite C em todo o país

4 de Novembro 2021

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) congratula a Madeira pelos resultados obtidos com o seu Programa de Eliminação de Hepatite C e defende que este deve ser implementado em todo o país.

Os resultados do programa sugerem que a Madeira será a primeira região de Portugal e uma das primeiras da Europa a erradicar o vírus da hepatite C, por isso o presidente da APEF considera que a Região Autónoma deve servir de “exemplo” e “inspiração” ao Governo português. “O Programa de Eliminação de Hepatite C, desenvolvido com base na implementação do Programa de Rastreio FOCUS, foi colocado em prática pelo interesse manifestado pela Secretaria Regional da Saúde da Madeira, ao projeto desenvolvido pelos profissionais de saúde que estão no terreno. O Governo central deve pôr os olhos nesta maneira de trabalhar e de abordar as situações”, disse José Presa, no seguimento da cerimónia de apresentação de resultados do programa na Região Autónoma da Madeira.

As previsões apontavam 2030 como o ano em que Portugal iria eliminar a hepatite C, porém foram alteradas para 2050. Já a Madeira vai fazer o despiste de toda a população antes de 2030, “curando e erradicando a doença”, referiu o presidente da associação, que destacou também o “decrescimento de cerca de 62 por cento de casos tratados por hepatite C em Portugal” durante a pandemia. “Enquanto isso, na Madeira, durante a pandemia, o número de testes foi crescente”, acrescentou.

Para José Presa, Portugal “precisa de implementar vários Programas FOCUS, como o da Madeira”, e “de ter o poder político mais interessado e mais próximo dos profissionais de saúde, entendendo as suas necessidades e colocando menos obstáculos”.

Luís Jasmins, gastrenterologista e presidente da mesa da Assembleia-Geral da APEF, disse que os resultados são o culminar de três anos de trabalho e salientou a importância do apoio governamental: “Desde que nos candidatámos ao Programa FOCUS”, em 2018, “sempre tivemos apoio da Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil, nomeadamente do secretário, o Dr. Pedro Ramos”.

De acordo com Luís Jasmins, o primeiro ano do projeto foi, sobretudo, de implementação do programa. Nos últimos dois anos, foram realizados 16 mil rastreios, dos quais 700 foram positivos. Confirmaram-se 40 casos, que seguiram para consulta e tratamento da doença.

“O programa começou por uma fase de micro eliminação em populações de alta prevalência, passando depois para os diferentes serviços hospitalares e Serviço de urgência e, finalmente, foi estendido a todos os centros de saúde. Vamos conseguir cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde, de eliminar a hepatite C até 2030. Aliás, acredito que o consigamos fazer antes”, afirmou Luís Jasmins.

No âmbito da cerimónia de apresentação de resultados, a APEF lançou um novo desafio à Madeira: criar um programa piloto para que a medicação para a hepatite C fique disponível nas farmácias de cada hospital, de forma a que o doente a possa levantar aquando do diagnóstico. Segundo Luís Presa, “os doentes esperam até 6 meses que a medicação chegue à farmácia do hospital, para poderem iniciar o tratamento”. “Creio que a Madeira vai aceitar o desafio e vai ser novamente um exemplo e uma inspiração para o resto do território”, declarou.

O modelo de rastreio do programa FOCUS baseia-se na integração dos testes na prática clínica diária, utilizando as infraestruturas e o pessoal já existentes, e abrange os hospitais e centros de saúde. “Caso a pessoa ainda não tenha sido rastreada, durante uma consulta, o médico recebe um alerta informático, que indica que o doente possui os critérios de integração no rastreio e que ainda não fez essa análise, e o próprio sistema informático processa o pedido do anticorpo. O enfermeiro, ao colher o sangue, informa verbalmente o doente. Desta forma, é feita apenas uma colheita”, explica, em comunicado, a APEF.

As hepatites virais B e C afetam 325 milhões de pessoas em todo o mundo, causando 1,4 milhões de mortes por ano. Em Portugal, existem cerca de 45 mil doentes com hepatite C não diagnosticados. Frequentemente, os doentes infetados pelo vírus da hepatite C não têm sintomas, e os tratamentos são simples, rápidos e sem custos para o doente.

PR/HN/Rita Antunes

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