13/12/2021 | Mundo, Notícias

Pelo menos 23 jovens morrem após rituais de circuncisão na África do Sul

Pelo menos 23 jovens morreram no último mês no sudeste da África do Sul na sequência de rituais de circuncisão tradicionais que marcam a passagem à idade adulta, disseram fontes oficiais citadas pela agência Efe.

As mortes ocorreram na província de Cabo Oriental (sudeste), a região sul-africana que todos os anos por esta altura se converte no epicentro destas práticas.

“As mortes são consequência de ilegalidades (…). Por isso, pedimos aos pais que trabalhem connosco”, explicou à Efe Mamkeli Ngam, porta-voz do Departamento de Assuntos Tradicionais do Cabo Oriental.

Os ritos de iniciação são uma prática tradicional de numerosas comunidades africanas que marca, para os rapazes, a passagem da infância para a idade adulta.

O ritual difere consoante a região, mas normalmente inclui a circuncisão dos adolescentes participantes, que depois devem sobreviver a céu aberto com outros iniciados e com os seus mentores sem atenção médica e apenas com comida e roupa.

A maioria das mortes ocorre por desidratação, devido à crença de que os participantes não devem beber água, e por falta de atenção sanitária.

Na África do Sul, os jovens chegam a passar um mês ao ar livre e a temporada de iniciações ocorre duas vezes por ano, uma no verão e outra no inverno.

As cerimónias praticam-se nas chamadas “escolas de iniciação”, algumas das quais legalmente reconhecidas, outras não, por onde passam milhares de jovens por ano.

Embora as autoridades sul-africanas peçam às famílias que os jovens não participem nestas práticas antes da maioridade, trata-se de um assunto de grande sensibilidade social que fica, em última instância, mas mãos dos líderes tradicionais e das famílias.

Embora estas cerimónias sejam por muitos consideradas parte essencial da cultura africana, as organizações de proteção da infância denunciam o tratamento “desumano” a que muitas vezes os jovens são sujeitos para serem respeitados como adultos na sua comunidade.

Em 2020 os rituais deixaram 14 mortos no mesmo período, o número mais baixo dos últimos anos, mas as autoridades estimam que a pandemia de covid-19 tenha provocado uma redução da participação.

LUSA/HN

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