A questão da saúde foi ontem abordada na reunião do executivo municipal e em declarações à agência Lusa Jorge Vala salientou que, além da reforma de alguns clínicos, registam-se “pedidos sistemáticos de mobilidade” de médicos colocados em Porto de Mós, a que se soma “baixas prolongadas”.

A situação é “agravada pelo facto” de o concelho “não ter acompanhamento de delegado de saúde”, declarou.

“Inclusive, a senhora vereadora e o nosso coordenador de Proteção Civil atendem fora do expediente o número de telefone verde que temos, a substituírem-se aos administrativos da Saúde e a encaminharem os dados dos utentes [relacionados com a Covid-19] para os profissionais do ACES [Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral]”, referiu.

Segundo Jorge Vala, a “situação pior” é a da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Porto de Mós.

O autarca explicou que, nesta unidade, para cinco ficheiros de utentes “só estão dois médicos, um deles reformado”.

Esta UCSP “recebe os utentes de Alqueidão da Serra, cujo médico está ausente por baixa”, referiu, acrescentando que no caso da freguesia de Arrimal e Mendiga “a médica está de baixa e os utentes têm” de ir, também, à sede do concelho.

Em São Bento, com a população mais envelhecida do concelho, não há “cobertura de médico”, pelo que tem de se deslocar a Serro Ventoso.

“Quando percebemos que a situação se estava a agudizar com algumas baixas prolongadas, demos conta às entidades, onde se inclui mais recentemente a senhora ministra da Saúde”, apontou, adiantando que em dezembro houve também uma reunião com a Associação de Utentes de Saúde do concelho e na segunda-feira reuniu-se o Conselho Municipal de Saúde.

Desta última reunião, “resultou um compromisso de a ARS [Administração Regional de Saúde do Centro] no sentido de autorizar que o concelho passe a ser considerado carenciado”, para garantir “uma melhoria das condições dos profissionais”, disse Jorge Vala.

“Minimiza, mas minimiza quando?”, perguntou, acrescentando que após o encontro foram enviados uma carta à ministra Marta Temido e um memorando a várias entidades.

Na próxima segunda-feira está prevista uma reunião com presidentes de junta, para definir “os passos seguintes”.

Garantindo estar a fazer “tudo para evitar um ‘bate-pé’ na rua”, o social-democrata Jorge Vala antecipa, dentro de “pouco tempo”, uma “rutura completa, sem qualquer assistência aos utentes”, questionando: “É esta saúde que o Governo quer descentralizar para os municípios?”.

A presidente da Ur’Gente – Associação de Utentes de Saúde de Porto de Mós, Ana Margarida Amado, classificou como “deplorável e dramática” a saúde no concelho, considerando que “a pandemia trouxe à vista de todos um problema latente”, mas “é evidente que piorou”.

“Com tudo o que é exigido aos centros de saúde em termos de pandemia, só tende a piorar algo que já estava mal”, declarou, alertando para a “dificuldade dos utentes na obtenção de receituário crónico” devido à falta de médicos.

A diretora-executiva do ACES Pinhal Litoral, que engloba os concelhos de Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós, distrito de Leiria, reconheceu “a falta de médicos na região, transversal também a todo o país”.

“Neste último concurso, que está a terminar, pedimos 29 vagas para médicos para todo o ACES, deram-nos oito. Das quatro vagas para Porto de Mós, deram uma”, declarou Delfina Carvalho.

Segundo a responsável da ACES, a UCSP de Porto de Mós, além da sede, tem polos em Mira de Aire, Arrimal-Mendiga, Serro Ventoso-São Bento e Alqueidão da Serra).

“Torna-se mais difícil gerir uma unidade muiltipolar, dada, além da falta de recursos humanos, a dispersão geográfica”, acrescentou Delfina Carvalho.

O concelho de Porto de Mós tem cerca de 23.200 habitantes distribuídos por 10 freguesias.

LUSA/HN

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