Câmara do Porto discute apoio a deslocações em táxi para cuidados de saúde

17 de Fevereiro 2022

O executivo da Câmara do Porto discute na segunda-feira apoiar o transporte de táxi a todos os munícipes com mais de 65 anos que se tenham de deslocar entre a sua residência e unidades de saúde. 

Na proposta, a que a Lusa teve hoje acesso, a vereadora dos Transportes, Cristina Pimentel, diz ser intenção do município “garantir uma resposta em transporte público, por um valor único, para os seus munícipes com 65 anos ou mais, que assegure a deslocação entre a residência e os hospitais”.

A maioria municipal, liderada por Rui Moreira, pretende que a medida, implementada no âmbito do plano de vacinação contra a Covid-19, seja agora alargada a toda a população com mais 65 de anos que necessite de se deslocar a unidades de saúde, através do programa “Táxi Saúde + 65”.

A implementação deste serviço durante a pandemia da Covid-19 “permitiu testar o modelo de disponibilização de um serviço de táxi mediante marcação prévia, por um motivo definido, para um conjunto de locais predefinidos e pelo valor único de dois euros a cargo do munícipe”.

Segundo a vereadora, a iniciativa foi “um sucesso”, razão pela qual a maioria independente tenciona alargá-la.

“O serviço de transporte público em táxi permite uma deslocação confortável para os munícipes com mais de 65 anos que, em muitos casos, apresentam limitações ao nível da mobilidade, podendo este serviço ser previamente solicitado por telefone, num modelo de transporte a pedido”, observa.

De acordo com a proposta, a Raditáxis Cooperativa dos Radio Táxis do Porto, CRL e a Táxis Invicta, Central Rádio Táxi do Porto, ACE foram as “únicas centrais de táxi” que se mostraram “totalmente disponíveis para aderir ao novo programa”.

Para a reserva do transporte, os munícipes podem identificar-se através do cartão Porto., “bastando indicar o número do cartão como identificação”.

O custo por viagem é de dois euros para os munícipes com 65 anos ou mais, portadores do cartão Porto., sendo que este serviço estipula como limite 12 viagens por ano.

“O apoio ao transporte em táxi enquadra-se no âmbito da garantia de acesso a cuidados de saúde, assumindo o município do Porto o diferencial entre o custo fixo para o cliente de dois euros e o custo do serviço de deslocação, desde a morada de residência, no Porto, até estabelecimento de saúde no Porto, até ao valor máximo de seis euros por viagem”, acrescenta.

Para tal, o município pretende conceder um apoio de 250 mil euros (mais IVA à taxa de 6%) às duas centrais para os anos de 2022 e 2023.

LUSA/HN

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