06/03/2022 | Opinião

Sem planeamento da resposta, nem decisão

Rui Cernadas
Assistente Graduado MGF

 Os quase dois anos de Pandemia que, com ou sem teorias da conspiração, com ou sem negacionismos, com ou sem mediatismos excessivos e comentadores para todos os gostos provocou uma globalização sanitária e económica sem precedentes, foi por vontade e loucura de Vladimir Putin liquidado, sem armas nucleares, em poucas horas.

Como sempre, no dizer dos estrategas de guerra, qualquer adversário vale o que vale e só uma força maior o pode controlar, amedrontar ou pulverizar.

O recurso à mentira, à cegueira ou a outros exercícios de natureza demencial, quando alicerçado no rigoroso e doentio controlo da informação pluridimensional, é uma outra via de construir formas de violência e de guerra.

E Putin, o vírus de Leste, anquilosado geneticamente e comportamentalmente condicionado pelo embebimento soviético, tornou-se assim o inimigo principal, também ele quase à escala planetária, este sim, verdadeiramente inequívoco quanto à sua origem, nacionalidade e ADN!

O mais grave e trágico é que, o chamado Ocidente e a Europa em particular deixaram que o “monstro” crescesse e ficasse insolente e desmiolado, temível, adiando, adiando e adiando sem planeamento da resposta, nem decisão.

E entre o dramático e o ridículo percebemos que, há deputados que se dizem europeus, que em pleno Parlamento Europeu se recusaram a votar pela Europa que os elegeu!

Em simultâneo, o que é certo é a estimativa astronómica de trabalho extraordinário realizado no SNS e pago ou a pagar a profissionais de saúde e empresas prestadoras de serviços relativamente a 2021.

E certo é que, estes valores são como água a fugir entre os dedos de duas mãos, improdutivos, incapazes de representar um investimento eficiente ou estruturado no SNS.

Entre nós, a retoma assistencial é ainda incerta.

O envelhecimento populacional continua a associar-se ao peso das doenças crónicas e da mortalidade por esta razão.

Podemos falar das doenças vasculares, cardíacas ou cerebrais, da diabetes, das patologias oncológicas, das demências enfim.

O problema na perspectiva clínica mais alargada passa ou radica mesmo na coexistência destas várias morbilidades. Por exemplo, conhecemos bem o impacto das relações vasculares entre a diabetes, a doença vascular periférica e a doença coronária.

É claro que as síndromes geriátricas acompanhando-se de deteriorações fisiológicas das reservas funcionais vão acentuar, facilitar ou prognosticar efeitos terceiros que colocam sucessivas complicações e custos.

Entre os idosos, os quadros de depressão e de perturbações do sono e, muitas vezes a necessidade do recurso a fármacos como anti-psicóticos, antidepressivos ou hipnóticos vai elevar o patamar da dificuldade de gestão destes doentes. O risco de queda e de fracturas, as alterações visuais comuns, as incontinências de esfíncteres ou os períodos de sonolência e de confusão mental são por isso de considerar.

Uma outra vertente e que impacta no consumo de recursos, bem como na dimensão social ligada ao acolhimento de idosos – principalmente quando portadores de situações de autonomia residual ou muito limitada – é a que se prende com as hospitalizações. Aqui a questão liga-se à das altas clínicas adiadas e proteladas, muitas vezes sem lugar em estruturas residências de idosos ou sem familiares ou cuidadores que os possam receber.

Conviria também apostar no estudo do envelhecimento numa perspectiva estratégica sem a qual não haverá respostas consistentes de fundo.

É que até no plano clínico assistencial e diria, no plano social de acompanhamento dos mais idosos, seria preciso aprofundar o estudo, análise e identificação das diferenças entre populações de idosos com e sem doenças crónicas. Essas diferenças permitiriam uma gestão diferenciada global, isto é, desde a prevenção atempada e eficiente das respostas até ao tratamento orientado e específico.

O SNS está organizado por níveis de actuação e de intervenção.

Mas falta como sempre a visão de longo prazo e uma articulação capaz pese a discussão em torno deste tema há décadas.

O governo de Portugal, como o chamado Ocidente e a Europa com Putin, para o SNS vai adiando, adiando e adiando sem planeamento da resposta, nem decisão.

 

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