11/03/2022 | Nacional, Notícias

Diretora do Programa Nacional para a Tuberculose insiste na importância de cumprir tratamentos

A diretora do Programa Nacional para a Tuberculose alertou esta sexta-feira para a importância de cumprir até ao final o tratamento desta doença para evitar as resistências aos antibióticos e lembrou que os casos de tuberculose multirresistente têm aumentado.

“Embora em números pequenos, aumentámos no último ano o número de casos de tuberculose multirresistente. Isto já vem na sequência de no ano de 2019 termos tido um aumento ligeiro à isoniazida, um dos fármacos mais importantes no tratamento da tuberculose”, disse à agência Lusa a diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, Isabel Carvalho.

A responsável lembrou que, na sequência disso, “podem vir outras multirresistências”.

“Na [tuberculose] multirresistente é fundamental os tratamentos protocolados, porque são poucos casos, é preciso manter o ‘know-how de concentrar os doentes e seguir mesmo os protocolos de tratamento (…) porque aí, sem duvida, que a mortalidade e a morbilidade é bastante superior à tuberculose comum”, afirmou.

Sublinhou igualmente a importância de encontrar o tratamento mais adequado possível, identificando os agentes em termos de antibiótico.

“Se tivermos um novo caso de doença e conseguirmos fazer tratamento o mais correto possível, baseado nas sensibilidades do doente, e até ao fim, evitamos o desenvolvimento de resistências”, disse.

De acordo com o Relatório da Vigilância e Monitorização da Tuberculose em Portugal 2020, hoje divulgado, no ano em que a pandemia chegou a Portugal foram notificados 1.465 casos de tuberculose, uma redução relativamente a 2019 (1.848 casos).

Em 570 casos (73,4% do total de casos confirmados) “apresentavam resultado de teste de suscetibilidade aos antibacilares de 1ª linha”.

“A resistência à isoniazida em conjunto com outras resistências (qualquer) ou isolada (monoresistência) ocorreu em 6% (8,2% em 2019) e 2,1% (5,2% em 2019) dos casos, respetivamente”, refere o documento.

O relatório indica também que dos casos de resistência isolada à isoniazida, 83,3% não tiveram tratamento prévio, 66,7 % eram nascidos em Portugal, 8,3% com infeção pelo VIH e a maioria (66,7 %) ocorreu na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Sublinha igualmente que, “dos 13 casos de tuberculose multirresistente, 8 (61,5%) eram nascidos em Portugal e 9 casos (69,2%) eram casos sem tratamento prévio para tuberculose, o que indica a existência de transmissão das estirpes resistentes na comunidade”.

Não se verificou nenhum caso de tuberculose extremamente resistente.

No ano 2020 foi diagnosticado um caso de tuberculose com resistência isolada à rifampicina (sem resistências adicionais) e oito casos de tuberculose multirresistente “entre os casos com perfil de sensibilidade aos antibacilares de 1ª linha conhecido” e cinco casos “através de testes moleculares de deteção rápida de resistências”, acrescenta o documento.

Segundo o relatório, em 2020 ocorreram 78 casos de formas graves de tuberculose – disseminada, meníngea ou do sistema nervoso central, o que representam 5,3% do número total de casos.

Os retratamentos corresponderam a 7,4% dos casos notificados e do total dos doentes com retratamento no ano de 2020, 52,8% tinham registo de tratamento prévio completo, 24,1% tratamento anterior interrompido, 1,0% insucesso terapêutico e em 22,2% o resultado do tratamento era desconhecido.

LUSA/HN

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