Guerra na Ucrânia: Acesso à insulina “severamente interrompido”

Na Ucrânia, os cuidados de saúde das pessoas com diabetes, o acesso à insulina e a outros medicamentos foram “severamente interrompidos” desde a invasão da Rússia. A escassez resulta mais de problemas de distribuição do que o próprio fornecimento, de acordo com várias fontes.

Na Ucrânia, os cuidados de saúde das pessoas com diabetes, o acesso à insulina e a outros medicamentos foram “severamente interrompidos” desde a invasão da Rússia. A escassez resulta mais de problemas de distribuição do que o próprio fornecimento, de acordo com várias fontes.

Segundo o “Medscape Medical News”,  em 2021 havia cerca de 2,3 milhões de pessoas com diabetes na Ucrânia, cerca de 7% da população total. Destes, aproximadamente 120.000 têm diabetes tipo 1 e dependem da insulina para viver, enquanto um número semelhante tem diabetes tipo 2 tratada com insulina.

As doações de insulina e de outros medicamentos continuam a chegar desde organizações que incluem a diáspora ucraniana, organizações não governamentais, governos europeus, universidades e fabricantes. “O principal problema agora é a logística”, referiu Boris Mankovsky, presidente da Associação Ucraniana de Diabetologia, em entrevista ao “Medscape Medical News”.

Os fornecimentos de insulina foram distribuídos de forma muito desigual por região e tipo, com vários carregamentos que contêm insulinas de longa duração, ação curta, analógicas ou humanas. “Estamos muito gratos por tudo isso. Contudo, o processo não é coordenado centralmente, o que é compreensível. Isso significa que algumas zonas podem receber muitas doações e outras nenhuma”.

A maioria das doações foram para o oeste da Ucrânia, onde está localizada a capital. “Mas o principal problema agora é a parte oriental da Ucrânia. É difícil e perigoso entregar qualquer fornecimento, especialmente devido à a terrível situação em Mariupol. O leste da Ucrânia é o que está a sofrer mais neste momento”.

Os especialistas continuam a trabalhar, pelo menos por enquanto. Ivan Smirnov, chefe do Departamento de Endocrinologia do Hospital Regional de Kharkiv, no nordeste do país, disse ao “Medscape Medical News” por e-mail: “Continuo em Kharkiv, apesar da situação. Muitas pessoas são mortas, muitas pessoas estão feridas. O meu hospital está cheio de civis feridos… Há imensos edifícios  destruídos em parte, e alguns completamente”.

Smirnov afirma que ele e os seus colegas encontram o caminho para superar o medo “no trabalho constante”. Parte desse trabalho traduz-se na assistência de consultadoria online. Mas o mais difícil é fornecer insulina aos pacientes com diabetes.

Mankovsky, especialista em diabetologia adulta e endocrinologia em Kiev, também continua a ajudar os pacientes, mas sobretudo remotamente. “A nossa prática foi severamente interrompida. Estou disposto a ver pacientes, mas é extremamente difícil e perigoso para eles e provavelmente não lhes é possível viajar para me verem. Por isso é que todas as nossas comunicações são feitas através de telefone ou da internet… Mas continuamos a poder comunicar e eu sou capaz de lhes fornecer algumas recomendações sobre mudanças no tratamento ou algumas correções na terapia com insulina”. 

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