17/03/2022 | Covid 19, Lusa, Mundo, Notícias

Macau apresenta plano de emergência para responder a eventual surto de larga escala

Macau apresentou esta quinta-feira um plano de emergência para responder a um eventual surto comunitário de larga escala, no momento em que a variante Ómicron da Covid-19 atinge territórios vizinhos.

O plano prevê a criação de um hospital de campanha e uma capacidade para responder a um cenário em que tenham sido diagnosticados 2.700 infetados, garantida também pela ativação dos centros comunitários de tratamento e recurso a hotéis onde são atualmente cumpridas as quarentenas obrigatórias.

Este cenário de surto comunitário de larga escala exigiria ainda meio milhar de profissionais de saúde e uma coordenação das autoridades apoiada por 15 grupos especializados.

No limite, o plano de emergência estipula o confinamento da cidade de mais de 680 mil habitantes, indicaram as autoridades em conferência de imprensa.

A taxa de vacinação em Macau é de 82,2%, mas apenas de 33,7% entre a população com mais de 80 anos, o que é “pouco satisfatória”, admitiram os serviços de saúde do território.

Macau está a intensificar a prevenção contra a Covid-19, entre a aposta na política de ‘zero casos’ e receios da propagação da variante Ómicron, que resultou no confinamento de milhões de pessoas na China.

Esta semana, as autoridades anunciaram que os trabalhadores de supermercados que lidam diariamente com mercadorias importadas são obrigados a efetuar um teste à Covid-19 a cada sete dias.

Nos hotéis onde quem chega ao território cumpre uma quarentena obrigatória que pode chegar aos 21 dias, mesmo sem estar infetado, lençóis e toalhas não serão substituídos. A recolha das refeições à porta do quarto só pode ser efetuada após autorização dada por telefone.

Em duas semanas, quase uma tonelada de leite foi destruída, depois de as autoridades encontrarem vestígios do novo coronavírus na película plástica que envolvia as embalagens, vindas da região vizinha de Hong Kong.

Esta semana, também, a segunda maior empresa de serviços de entrega expresso chinesa suspendeu todos os envios em Macau de e para a China.

Hoje, as autoridades, preocupadas com possíveis infeções por “contacto com objetos contaminados”, lançaram uma lista de medidas que devem ser adotadas pela população para conter qualquer risco, como a esterilização das embalagens de transporte do produto.

Macau registou, desde o início da pandemia, há dois anos, apenas 82 casos de Covid-19. O território fechou as fronteiras a não-residentes e impôs quarentenas à entrada a residentes oriundos de zonas de risco.

Na cidade vizinha de Hong Kong, a Ómicron sobrecarregou o sistema de saúde local, com a região administrativa especial chinesa a registar mais de 4.300 mortos e de 740.000 casos só nos últimos três meses.

A Covid-19 provocou mais de seis milhões de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

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