Duas novas Unidades de Cuidados Continuados Integrados vão entrar em funcionamento em Montemor-o-Novo

6 de Abril 2022

Duas novas unidades de cuidados continuados integrados, com um total de 25 camas, vão entrar em funcionamento, este mês, em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, fruto de um investimento global de 2,3 milhões de euros.

As novas valências vão funcionar num dos pisos do edifício do Hospital São João de Deus, que foi requalificado, revelou hoje à agência Lusa o diretor da instituição, David Padeiro.

Segundo o responsável, as unidades, uma de média duração e reabilitação, com 10 camas, e outra de longa duração e manutenção, com 15 lugares, integram a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

“O Instituto São João de Deus está a criar esta resposta” por ter sido identificada “essa necessidade” de lugares por parte da “RNCCI e das entidades referenciadoras, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e a Segurança Social de Évora”, disse.

David Padeiro assinalou que as duas unidades vão permitir à instituição dar uma “melhor resposta” ao nível dos “cuidados aos doentes” que necessitam deste tipo de internamento para “reabilitação física ou manutenção”.

“As unidades ainda não estão em funcionamento, mas prevê-se que comecem a funcionar durante este mês”, pois, a instituição ainda está “a receber equipamentos” que vão apetrechar as novas valências, adiantou o diretor do Hospital São João de Deus.

O responsável indicou que as duas unidades de cuidados continuados envolveram um investimento de cerca de 2,3 milhões de euros e foram financiadas a 85% por fundos da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Estas novas valências juntam-se à residência de apoio moderado em saúde mental criada pela instituição, com capacidade para 10 doentes e que entrou em funcionamento em novembro passado, igualmente integrada na RNCCI.

“É uma resposta pioneira ao nível do Alentejo”, vincou David Padeiro, salientando que esta valência permite que os doentes tenham “autonomia” para que “possam ser reintegrados na sociedade”, da qual “saíram devido a um processo agudo da doença”.

A residência de apoio moderado, a funcionar numa casa com dois pisos e circundada por um espaço exterior com jardim, foi a primeira resposta na região do Alentejo de cuidados continuados integrados na área da saúde mental.

A prestação de cuidados nesta unidade residencial é feita em colaboração entre a equipa técnica da própria residência e os profissionais do Serviço Local de Saúde Mental do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).

LUSA/HN

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