26/04/2022 | Opinião

A Pneumonia mata. Vacine(-se)

José Alves
Pneumologista, Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

Celebramos, até ao final do mês, a Semana Europeia da Vacinação. A imunização em todas as fases da vida é o destaque da edição deste ano, e é particularmente relevante na protecção da população contra doenças graves e potencialmente fatais como a pneumonia, uma doença que mata uma média de 16 pessoas por dia, só no nosso país.

A pneumonia pode causar sequelas graves e permanentes, mesmo entre os mais saudáveis. Bronquiectasias (deformação dos brônquios) e compromisso da função pulmonar são apenas dois exemplos, tal como a permanência de tosse, expetoração ou falta de ar. A maioria das pneumonias (e das consequentes sequelas) pode ser evitada através de vacinação.

Seguras e muito eficazes, as vacinas são sempre a melhor alternativa a qualquer processo de cura. Devem ser uma prioridade de todos mas, no caso da pneumonia como de outras patologias graves, são particularmente importantes na proteção de doentes crónicos e de pessoas a partir dos 65 anos.

Para além de evitarmos a doença individual, a vacinação reduz a transmissão da doença, causando impacto direto no número de mortes e internamentos por pneumonia – um estudo recente revelou que o simples ato da imunização pode reduzir o risco de hospitalização em 73%.

A vacina antipneumocócica já está em PNV para as crianças e para os grupos de maior risco. É recomendada pela Direção-Geral da Saúde e a sua eficácia estende-se a todas as faixas etárias. O esquema vacinal das crianças é de três doses, mas para os adultos basta uma toma única.

Para além da pneumonia, a vacinação antipneumocócica tem outras vantagens. Previne formas graves da infecção por pneumococos, como a meningite e a septicémia, e outras menos graves como a otite média aguda e a sinusite.

A ideia é batida mas, nem por isso, irrelevante. Na pneumonia, como em todas as infeções, a prevenção é sempre preferível à cura. Por mais baixos que possam ser, os riscos de uma doença são imprevisíveis – para além da morte, a pior das consequências, a pneumonia pode deixar-nos drásticas sequelas que afectarão diariamente a nossa qualidade de vida.

Quase no final da Semana Europeia da Vacinação, reforço o meu apelo. Não arrisque, nem baixe a guarda, agora que está a chegar o bom tempo – vacine-se. Pode fazê-lo em qualquer altura. Informe-se com o seu médico – falem de prevenção.

 

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