Investidores precisam de se sentir mais seguros em Moçambique

8 de Maio 2022

O economista-chefe do Standard Bank em Moçambique, Fáusio Mussá, disse hoje em entrevista à Lusa que os investidores precisam de se sentir mais seguros para o ambiente de negócios melhorar no país, onde o crime violento tem aumentado.

“O país vive um aumento do crime violento” com “raptos” e “uma série de situações que assustam o investidor, já para não falar da situação em Cabo Delgado, que cria uma incerteza muito grande”, referiu.

Cabo Delgado é a província do extremo norte do país que vive uma insurgência armada há quatro anos e meio, levando à suspensão dos megaprojetos de gás do país.

“Quando falamos de melhoria no ambiente de negócios, não estamos a falar só de melhorar infraestruturas para atrair investidores ou da facilitação de procedimentos, mas também de melhorias claras na segurança”, realçou, acrescentando que a confiança no sistema legal é um ponto crucial.

Há um conjunto de investimentos em curso ao nível dos portos e de outros serviços que operam em Moçambique, impulsionados pela perspetiva de poderem servir os futuros projetos de gás.

“Por esta via, os projetos de gás podem ajudar a trazer mais investimentos para o país” e os que promoverem pequenos e médios negócios “geram maior aumento de emprego”, disse.

Só que “esses investimentos são muito sensíveis às condições que o país oferece” do ponto de vista “da facilitação dos negócios e do Estado de Direito (do inglês, ‘rule of law’), ou seja, confiança no sistema legal”, destacou Fáusio Mussá.

A estes pontos-chave para melhorar o ambiente de negócios, acrescenta a necessidade de agilizar a contratação laboral estrangeira: “um investimento vem, mas é preciso mão-de-obra qualificada que muitas vezes nós não temos”.

“Com a pandemia ficou ainda mais difícil”, mas o economista-chefe do Standard espera que as autoridades estejam “a olhar para estas situações”.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), maior associação patronal do país, pediu no final do último ano que o Governo seja mais rápido a aprovar o plano de reformas lançado em 2019.

O Plano de Ação para a Melhoria do Ambiente de Negócios (PAMAN) é uma lista de 55 medidas cuja execução ronda 43%.

LUSA/HN

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