Especialista diz que tendência de mais casos “não é fenómeno momentâneo”

O especialista em epidemiologia da Universidade do Porto Óscar Felgueiras afirmou esta sexta-feira que a tendência de crescimento de novos casos “não é um fenómeno momentâneo” e que, face ao ritmo de transmissibilidade, “urge” proteger os mais idosos e vulneráveis.

“Estamos no início de uma vaga que coincide com o fim da obrigatoriedade das máscaras e que começa num patamar de incidência bastante elevado”, afirmou Óscar Felgueiras.

Em declarações à Lusa, o especialista da Universidade do Porto afirmou que a tendência de novos casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2 “não é um fenómeno momentâneo” e que, por essa razão, é “garantido um aumento muito significativo” de casos nos próximos dias e semanas.

“Neste momento, ao ritmo a que vamos, não é de todo provável que evitemos atingir os 30 mil novos casos”, disse, observando não ser possível vislumbrar, para já, um momento de abrandamento.

“No curto prazo a tendência é de crescimento”, acrescentou Óscar Felgueiras, que integra a equipa responsável pelo livro “Covid-19 em Portugal: a estratégia”, lançado hoje na Universidade do Minho e que já se encontra disponível ‘online’.​​​      Destacando que a incidência de novos casos está “concentrada” nas faixas etárias mais jovens, população que ainda não teve dose de reforço da vacina contra a Covid-19, Óscar Felgueiras defendeu que “urge tentar proteger” a população mais idosa e vulnerável, através da vacinação.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) já anunciou que os idosos com mais de 80 anos e os residentes nos lares vão ser vacinados com a segunda dose de reforço da vacina contra a Covid-19 a partir de segunda-feira.

“O que distingue este momento de outros é o facto de termos já alguma proteção adquirida pelas vacinas e pela exposição prévia à própria infeção. Numa altura em que os casos aumentam desta forma, tem de haver uma perceção do risco de agravamento”, considerou.

O especialista da Universidade do Porto lembrou ainda que “há uma grande circulação do vírus” e que tal se reflete em “níveis nunca antes vistos” da positividade (acima dos 40%) e simultaneamente na mortalidade, cujo nível continua “acima do desejável”.

“Tínhamos uma meta de 20 óbitos por 100 mil habitantes a 14 dias que não chegou a ser alcançada, mantemo-nos há dois meses com valores acima disso e já se sabe que os casos aumentando nos mais jovens, o aumento inevitavelmente acabará por chegar à população mais velha”, referiu, acrescentando que apesar de a “letalidade estar mais baixa do que no passado, tem sempre impacto na mortalidade”.

Óscar Felgueiras corroborou assim a opinião do matemático do Instituto Superior Técnico (IST) Henrique Oliveira, que na quinta-feira disse à Lusa existir uma recente “aceleração drástica” do número de casos.

Henrique Oliveira, um dos autores do Indicador de Avaliação da Pandemia do IST e da Ordem dos Médicos, adiantou que uma análise matemática à evolução das ondas pandémicas já registadas em Portugal indica que o intervalo temporal entre cada uma dessas vagas “é de exatamente 115 dias”.

“As autoridades devem contar com ciclos entre 110 e 120 dias de intervalo entre as ondas causadas pela Covid-19. Mais uma vez, esta lei empírica está a verificar-se”, tendo em conta que o país pode estar a caminho da sexta vaga da pandemia, afirmou o especialista.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados na quinta-feira, Portugal ultrapassou os quatro milhões de casos confirmados de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 desde o início da pandemia da Covid-19.

Na quarta-feira, segundo a Direção-Geral da Saúde, foram registados no país 24.866 novos casos de infeção e 25 mortes por covid-19.

LUSA/HN

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