Gripe aviária com “melhoria gradual” mas é improvável que vírus não esteja a circular

19 de Maio 2022

A gripe das aves registou, a partir do final de abril, uma “melhoria gradual”, verificando-se uma “diminuição acentuada” dos focos na União Europeia, embora seja “improvável” que a circulação do vírus tenha cessado, adiantou a DGAV.

“A partir do final do mês de abril de 2022, verificou-se uma melhoria gradual da situação epidemiológica da GAAP [Gripe Aviária de Alta Patogenicidade], nomeadamente uma diminuição acentuada do número de focos de doença notificados no território da União Europeia”, lê-se num edital da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Perante esta evolução, a DGAV sublinhou que “importa rever” o confinamento imposto às aves domésticas em instalações localizadas nas zonas de alto risco.

Apesar da melhoria da situação, a DGAV ressalvou ser “improvável” que a circulação do vírus tenha “cessado por completo”, podendo manter-se em menor grau entre as aves selvagens estivais e residentes.

Considerando que o risco de contacto entre as aves domésticas e selvagens é o “mais importante” para a ocorrência da doença, a implementação e o cumprimento das medidas de biossegurança mantém-se, como a higienização das instalações, equipamentos e materiais, assim como o controlo dos acessos aos estabelecimentos onde estão as aves.

A DGAV reiterou também que qualquer suspeita de infeção, como aumentos de mortalidade, aparecimento de sintomas compatíveis, diminuição dos consumos de água e comida e alterações dos parâmetros produtivos, onde se inclui a diminuição da postura de ovos, deverá ser comunicada.

Em Portugal, o primeiro foco de gripe aviária foi detetado em 30 de novembro de 2021, numa capoeira doméstica, em Palmela, distrito de Setúbal.

Desde essa altura foram contabilizados 20 focos em aves domésticas, incluindo explorações comerciais de perus, galinhas e patos, uma coleção privada de aves e capoeiras domésticas, a que se somaram seis focos em aves selvagens.

Os focos em causa atingiram os distritos de Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Beja, Évora, Faro e Porto.

O último foco foi confirmado no dia 15 de março, numa capoeira doméstica no concelho de Castro Marim, distrito de Faro.

A DGAV é um serviço central da administração direta do Estado, com autonomia administrativa.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights