ESEL cria CIDNUR para chegar mais longe na investigação em enfermagem

O Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR) – a unidade de investigação da ESEL (Escola Superior de Enfermagem de Lisboa) – deu início às suas atividades em março de 2021. “Podemos dizer que esta é uma linha estratégica no programa da presidência, julgo que com o objetivo de tornar a investigação uma marca da ESEL”, disse-nos a coordenadora do CIDNUR, Andreia Costa. No seu segundo ano, o centro de investigação continuará a trabalhar para conseguir financiamento e aumentar a internacionalização e as parcerias.

HealthNews (HN)- Quando é que a ESEL começou a pensar em abrir um centro de investigação como o CIDNUR?

Andreia Costa (AC)- Julgo que podemos situar logo no início das funções da atual presidência da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Creio que terá sido no verão de 2019. Desde o início da atual presidência, ficou claro que a investigação seria uma prioridade para a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, com a consciência de que o contexto de investigação é cada vez mais exigente e mais competitivo, tanto a nível nacional como internacional. Percebemos cedo que era necessário colocar em prática um plano estratégico de alinhamento das atividades de investigação com as atividades formativas da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Podemos dizer que esta é uma linha estratégica no programa da presidência, julgo que com o objetivo de tornar a investigação uma marca da ESEL, promovendo a participação de todos (docentes, investigadores e estudantes) nos projetos que poderiam ser desenvolvidos e – muito importante – criando incentivos e proporcionando as condições necessárias ao seu desenvolvimento. 

No verão de 2019 ou início do ano letivo de 2019/2020, foi nomeado um grupo de trabalho para refletir sobre esta dimensão da investigação da ESEL. Este grupo apresentou uma proposta de criação de um centro de investigação que pudesse captar maior financiamento no futuro. Este financiamento é reconhecido como uma necessidade em termos de tornar qualquer unidade de investigação competitiva. Estamos a falar de financiamentos públicos ou privados e nas áreas estratégicas para as áreas formativas da ESEL, naturalmente com parcerias de outros setores. 

O reconhecimento da investigação realizada na ESEL é fundamental, mas também queríamos o reconhecimento da FCT. Era necessário ter um plano para que a captação de financiamento externo fosse concretizável, porque o reconhecimento da FCT também contribui para a sustentabilidade de um centro de investigação, que é naturalmente o que todos desejam nos dias de hoje. O alinhamento da investigação, desde o seu início, foi sempre pensado na perspetiva da articulação com as necessidades das comunidades que têm ligação com a ESEL, assim como com a agenda de investigação nacional e internacional.

HN- Porque é que decidiram avançar em março de 2021?

AC- Nós começámos a trabalhar na preparação da criação deste centro em 2020. Em meados de 2020, eu e três colegas professores da Escola Superior de Enfermagem recebemos um convite e fomos nomeados coordenadores. Este grupo de quatro professores trabalhou durante estes meses. Foram trabalhos muito importantes, porque foram sempre realizados em articulação com a presidência, com esta proposta de alinhamento estratégico da investigação, com outros colegas da escola e com as estruturas da ESEL, no sentido de termos um plano estratégico para o desenvolvimento de um centro de investigação. Para isso, era necessário preparar todos os regulamentos, todos os procedimentos e todas as ferramentas que pudessem permitir o início das atividades. A proposta era iniciar atividades em 2021, e todo o trabalho preparatório levou a que se situasse no mês de março.

HN- Quais são os principais objetivos do centro?

AC- O CIDNUR – Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa tem como principais objetivos: produzir conhecimento em enfermagem; promover a translação e a divulgação do conhecimento em enfermagem; suportar cientificamente os ciclos de estudo da ESEL e apoiar o desenvolvimento científico dos docentes da ESEL e dos investigadores do CIDNUR.

HN- Neste primeiro ano, em que projetos apostaram?

AC- Os professores da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa – que eram já investigadores com presença na unidade de investigação da ESEL anterior ao CIDNUR – têm um histórico de desenvolvimento de investigação de grande qualidade e alinhada com as necessidades da comunidade em que a ESEL se insere; mas, na maioria das vezes, sem financiamento externo e, talvez, sem a visibilidade desejada do ponto de vista da divulgação científica. Nos dias de hoje, esta vertente competitiva da investigação, em termos de financiamento e de divulgação, é indispensável. 

Com o início das atividades do CIDNUR, os projetos registados no Centro evidenciaram esta continuidade nas áreas temáticas, mas com maior foco na divulgação científica, porque entendemos que a partilha da investigação é fundamental. Portanto, a nossa aposta tem sido o desenvolvimento da investigação nas áreas que já eram trabalhadas e que têm um enorme potencial de crescimento. Crescimento aqui significa estar alinhado com as agendas de investigação nacionais e internacionais e ser reconhecido pela sociedade como necessário e socialmente responsável. Posso dar alguns exemplos: a capacitação dos cuidadores informais; a gestão do regime terapêutico; as intervenções no domínio do eHealth e do eNursing; a segurança nos cuidados de saúde; a organização dos cuidados e a liderança de enfermagem; os cuidados de transição; os cuidados para o desenvolvimento integrativo neonatal; a gestão do risco de queda na população idosa; a promoção da literacia em saúde; a promoção da saúde e dos estilos de vida saudáveis; a educação para a saúde; a atuação da enfermagem na prescrição social; a gestão da doença crónica; a prática simulada em enfermagem e a prevenção de comportamentos aditivos, entre muitos outros.

HN- A comunidade científica e a académica podem e devem aproximar-se ainda mais?

AC- A resposta é: sempre. Devem aproximar-se sempre mais. A cultura científica é essencial para o desempenho da atividade académica, porque é a forma de garantir que as futuras gerações de profissionais estão a ser formadas com base na mais recente evidência científica e de forma a promover a cultura científica. A proximidade deve ser sempre acarinhada e com o envolvimento de parcerias com instituições de saúde, instituições do setor social e instituições de educação. As parcerias são fundamentais.

HN- O centro fortalece a formação dos estudantes da ESEL?

AC- Tem muito em conta esse objetivo. A formação dos estudantes da ESEL está também no centro da nossa atenção. Com esta promoção da cultura científica, da prática baseada na evidência, e com a iniciação da proximidade da investigação no primeiro ciclo formativo, é concretizável esta nossa atenção. Neste momento, vários alunos de mestrado participam em equipas de projetos de investigação do centro; vários alunos de licenciatura participam em alguns projetos do centro; está em vigor um protocolo com a associação de estudantes da ESEL para a promoção dessa participação; e todos os alunos e alumni (ex-alunos) recebem convites para os nossos eventos de formação e eventos científicos, organizados pela Comissão Coordenadora do CIDNUR ou pelas equipas dos projetos registados no Centro.

HN- Que apoios encontram no CIDNUR os docentes e os investigadores?

AC- Podemos dar como exemplo as sessões de formação organizadas pelo CIDNUR – webinars e conferências. Também é importante o apoio para a divulgação científica, sobretudo através da publicação de artigos científicos em revistas de elevada qualidade e da participação em eventos científicos para divulgação de produtos científicos resultantes dos projetos de investigação registados no CIDNUR. Também fazemos a disseminação da informação sobre eventos científicos organizados por outras entidades e de concursos para financiamento de projetos de investigação; divulgamos a abertura de bolsas a que os investigadores possam concorrer; e promovemos a participação dos investigadores em consórcios para a elaboração de candidaturas através de redes, de associações em que estamos integrados ou que nos façam chegar essa informação.

HN- Esperam que o segundo ano seja de sucesso em que áreas?

AC- Gostaríamos que o segundo ano fosse de sucesso em todas áreas que mencionei, porque são áreas com enorme potencial e em que os nossos investigadores estão a investir. Importa realmente investir na nossa maior necessidade: a captação de financiamento externo. Temos previstas algumas candidaturas a financiamento externo. Ou seja, temos vários investigadores em processo de submissão ou de avaliação em alguns concursos em curso, seja no Programa ERASMUS+, seja no concurso da FCT para o financiamento de projetos em todos os domínios, seja no Horizonte Europa. Conseguir algum financiamento, ou que alguns destes projetos sejam financiados, e aumentar a internacionalização e as parcerias seria um passo gigante para o sucesso pretendido, para o qual temos estado a trabalhar.

Entrevista de Rita Antunes

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