Terapia celular inovadora para o tratamento do cancro do sangue apresentada no Brasil

Cientistas do estado brasileiro de São Paulo anunciaram o desenvolvimento de  um programa avançado de tratamento do cancro, que será um dos maiores da América Latina e incorpora uma inovadora terapia celular desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O estudo, que também envolveu o Haocentro Riberao Preto e a Universidade Estadual de São Paulo (USP), mostrou que a terapia era “altamente eficaz no tratamento de alguns tipos de cancro do sangue, tais como linfoma e leucemia linfóide aguda”, indicou o Governo regional em comunicado.

O programa, supervisionado pela Secretaria da Ciência, Investigação e Desenvolvimento em Saúde, funcionará em dois centros, um em São Paulo, a capital regional, e outro em Riberao Preto, com uma capacidade combinada para tratar 300 pacientes por ano.

A terapia celular CAR-T (recetor de antigénio quimérico) utiliza células T, que são linfócitos do sistema imunitário, para “reprogramá-las” para combater os “agentes patogénicos” do cancro do sangue.

A partir de São Paulo, o objetivo é que a terapia chegue ao Sistema de Saúde Unificado, a rede de saúde pública do país.

O primeiro voluntário do programa experimental formulado no Centro de Terapia Celular da Escola de Medicina da USP em Ribeirão Preto conseguiu “uma remissão total de um linfoma terminal” e, ao longo dos dois anos de ensaios, outros pacientes conseguiram inverter as suas condições oncológicas, lê-se na mesma nora.

“Esta é uma terapia revolucionária e individualizada que utiliza as células de defesa do próprio paciente para combater o cancro”, disse o secretário regional da saúde, David Uip.

Por se tratar de um programa experimental, os pacientes tratados estavam todos na fase terminal, pelo que o estudo será alargado a voluntários nas fases iniciais da doença, a fim de obter um aval definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, regular).

“Curar uma pessoa que estava quase doente terminal é uma emoção indescritível”, disse Dimas Covas, o diretor do Instituto Butantan e coordenador do estudo, que envolveu 50 profissionais da ciência médica.

NR/HN/LUSA

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