BE diz que divergências com PS não foram intransigência, mas devido a “rutura iminente do SNS”

A coordenadora bloquista afirmou esta quarta-feira que as divergências com o PS sobre saúde “nunca foram um problema de intransigência” do BE, mas da “rutura iminente do SNS”, tendo o primeiro-ministro recusado o “tremendismo” e “soluções mágicas” do Bloco.

No primeiro debate sobre política geral da XV legislatura, a líder do BE, Catarina Martins, focou a sua primeira intervenção na situação do SNS e recordou diferentes avisos que fez a António Costa ao longo dos últimos anos sobre um tema que gerou muitas discussões entre socialistas e bloquistas.

“O Governo chega aqui, no meio de uma crise de urgências, com nenhuma proposta concreta para resolver o problema. Eu acho que talvez comece a ficar mais claro que as divergências entre o Bloco de Esquerda e o PS sobre o SNS nos últimos anos nunca foram um problema de intransigência do Bloco, mas sim de situação de rutura iminente do SNS e da nossa responsabilidade em o salvar”, criticou.

Catarina Martins referiu que António Costa veio ao debate “dizer que vai aprovar o estatuto do SNS três anos depois da Lei de Bases da Saúde e que a senhora ministra vai negociar carreiras”, o que já “diz há anos”.

“Repito e continuo a perguntar: porque recusa a proposta de António Arnaut para a valorização de carreiras e salários, com exclusividade dos profissionais. Na altura preferiu assobiar para o lado e falar sobre outro assunto. Espero que hoje dê uma resposta. Se não a mim, ao país”, desafiou no final da sua intervenção.

Na resposta, o primeiro-ministro contrariou as ideias da líder bloquistas porque “a história destes seis anos o que regista é um reforço” na saúde.

“Eu percebo o recurso ao tremendismo, mas concentremo-nos nas soluções práticas e efetivas. A senhora deputada omitiu um outro pequeno dado: é que a solução mágica que o BE tinha para resolver o problema da fixação dos médicos no SNS e que foi um ponto de divergência entre nós e que levou ao chumbo pelo BE do Orçamento do Estado para este ano, foi que em vez da dedicação plena negociada, contratualizada com os profissionais, o que o Bloco de Esquerda pretendia era decretar e impor a exclusividade, ou seja, a proibição dos médicos poderem exercer livremente a sua atividade”, acusou.

Na análise de António Costa, o que Catarina Martins “queria não era mais médicos no SNS”, mas sim “que houvesse menos médicos nos hospitais privados”.

“E aquilo que nós queremos é que haja mais médicos no SNS, mas garantir aos médicos e aos outros profissionais a liberdade do exercício da sua profissão”, enfatizou.

LUSA/HN

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